Na conferência anual da Associação Médica Psiquiátrica, realizada em maio deste ano, pesquisadores relataram a constatação de efeitos colaterais na atividade sexual motivados pelo uso de Prozac e de outros antidepressivos, conhecidos como inibidores da reabsorção seletiva da serotonima ou IRSS. Tais efeitos, segundo disseram, são muito mais atuantes do que se imaginava até agora. Além do Prozac, as drogas incluem Zoloft e Paxil.
Tão previsível é a capacidade dos IRSS de interferir no desejo sexual e na própria atividade sexual que essas drogas estão sendo usadas para tratar problemas de ejaculação precoce, compulsões sexuais, como masturbação excessiva, uso de pornografia, sexo pelo telefone e toda uma série de desvios sexuais, desde o voyeurismo até a pedofilia.
Embora a ação química de antidepressivos no cérebro seja razoavelmente bem conhecida, a biologia da função sexual e da disfunção não é. Antidepressivos trabalham regulando o fluxo e refluxo de neurotransmissores, químicos cerebrais que levam mensagens entre as células dos nervos. Acredita-se que a serotonima, o neutransmissor visado pelos IRSS, influi no sono, no apetite, na agressividade e no sexo.
Os IRSS têm seu efeito depois que a célula do nervo secreta serotonima e a libera para acionar outra célula do nervo. Uma vez que a mensagem é enviada, a serotonina é destruída ou reabsorvida pela célula que a liberou. Os IRSS inibem esse processo de ‘‘reabsorção’’, fazendo com que a serotonina dure mais tempo nesse espaço entre as células e amplificando sua mensagem.
Por outro lado, como ocorre com muitas outras drogas psicoativas, algumas pessoas experimentam quase o oposto do efeito usual. Alguns creditam aos IRSS não apenas uma revitalização do interesse pelo sexo, mas realmente sua acentuação. (Da Editoria e Los Angeles Times Syndicate/AE).

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