Os profissionais e amantes da informática têm apenas um ano para neutralizar os efeitos do ‘‘bug’’ do milênio, numa contagem regressiva que vem causando suspense diante da verdadeira face do mal.
O temor que a simples menção do problema causa não é simples paranóia. Nos países modernos, a informática chegou a ser onipresente e, por este motivo, nenhum especialista arrisca prever qual será seu real poder de devastação.
Uma coisa é certa: o mal se manifestará. A prevenção é passível de erros e a mobilização está longe de ser geral.
Os países anglo-saxões são os mais adiantados em seus preparativos. Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido têm as melhores pontuações dos especialistas, mas não estão sozinhos. Holanda, Bélgica e Suécia correm contra o tempo para evitar o pior.
Na Ásia, a operação está paralisada, devido à crise econômica. Europa Oriental, Índia e Rússia continuam em ‘‘stand-bye’’, mas o Banco Mundial se mostra preocupado com seus atrasos.
A França vem sendo criticada por seus parceiros industrializados por sua política, considerada ‘‘laxista’’. O México se destaca, ao contrário, pelos esforços particulares de seu governo.
Mas, mesmo estando preparado, um país ou empresa não está a salvo de sofrer os efeitos do bug se seus parceiros, fornecedores ou clientes, estiverem com problemas. Por isso, continuam as pesquisas incessantes de várias organizações sobre o problema.
A origem do imbroglio é simples: a passagem para o novo ano causará problemas na maioria dos computadores, programados para identificar o ano a partir de seus dois últimos números. Os que não forem adaptados farão cálculos estapafúrdios e podem parar de funcionar.
Reprogramar os computadores e corrigir os antigos programas é um trabalho considerável, mais cansativo que complexo, que exige muita mão-de-obra, o que é um problema, pois o mercado carece de bons técnicos.
O custo total dos preparativos para o bug tem avaliações muito variáveis: 858 bilhões de dólares, segundo a companhia de serviços informáticos Cap Gemini; US$ 300 bilhões, segundo o gabinete IDC.
Em seu conjunto, apenas os computadores e programas adquiridos a partir de 1997 podem resistir ao problema. Mas, até mesmo a Microsoft teve que corrigir seu novíssimo Windows 98, utilizado pela maioria dos computadores pessoais (PC) do mundo.
Segundo a empresa americana especializada Gartner, os problemas começarão a partir de 1999, pois existem vários programas que trabalham com dados provisórios.
O maior número de avarias se concentrará, no entanto, na primeira semana de janeiro de 2000, e levará cerca de três dias para consertá-los.
Em 1999, além da própria preparação, muitas empresas e organizações deverão dedicar muita energia e tempo para tranquilizar seus clientes e usuários.
Cortes de eletricidade e telefones, contas bancárias bloqueadas ou vazias são os efeitos mais comumente aventados, mas o receio maior são as quedas de aviões por causa de problemas nos circuitos.
Até mesmo os barcos não estão seguros. A grande seguradora londrina Lloyd’s advertiu aos armadores que podem haver colisões no canal da Mancha.

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