Não é um fato propriamente comum que uma pequena empresa brasileira abra uma subsidiária nos EUA e passe a exportar tecnologia para o agressivo e protecionista mercado do Tio Sam. Menos comum ainda é ver uma turma de pós-graduandos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) atravessar a linha do Equador para estagiar numa empresa da América do Sul. Mas é exatamente isso que está acontecendo.
Cinco estudantes da área de negócios – Iñaki Ecenarro, Marco Borla, Jose Ramos, Anthony Nichtawitz e Shervin Ghaemmaghami – estão atuando junto à Automatos, uma brasileirinha que se lançou no mercado americano e que gerencia micros à distância. Esta é a primeira vez que os alunos do MIT saem de Boston para estagiar numa empresa estrangeira. O intercâmbio acontece através de uma disciplina eletiva, a Global e-Lab, que entrou para o currículo do instituto este ano.
O professor, Richard Locke, explica que o objetivo da matéria é ensinar os alunos a lidarem com situações diferentes. ‘‘O mundo não tem um só país, que por sua vez não concentra todos as empresas’’, diz. ‘‘Temos de sair dos Estados Unidos e ver o que acontece nos diversos mercados’’, completa. Locke conta que mais de 50 companhias de todas as partes do mundo se inscreveram, através da Internet, para participar do intercâmbio. A seleção entre elas foi feita pelos próprios estudantes.
Iñaki Ecenarro explica que escolheu a Automatos porque a companhia está trilhando o caminho inverso das outras: ‘‘Costumamos ver empresas americanas ganhando mercado pelo mundo, e aqui vemos uma brasileira tentando entrar nos Estados Unidos. Ela tem a tecnologia e quer exportar, não importar’’.
Mas não foi apenas a garra da empresa que pesou na escolha. Segundo explica José Ramos, todos eles, com exceção de Marco e Shervin, são de origem latina, e pretendem voltar para o Sul quando terminarem o MBA.‘‘Os mercados latinos estão crescendo e oferecem muitas possibilidades’’, observa. ‘‘É uma grande oportunidade acompanhar o dia-a-dia de uma empresa, sobretudo se ela está fora dos EUA, porque a maioria de nós não pretende ficar por lá. Quando nos mudarmos, vamos enfrentar problemas semelhantes’’, diz.
A Automatos está recebendo uma preciosa ajuda, a custo baixíssimo. A empresa pagou a passagem e o aluguel do flat onde o grupo está hospedado, mas o estágio é gratuito. Os alunos vão ficar no Brasil por três semanas para conhecer o trabalho da empresa e analisar formas viáveis para que ganhe força nos Estados Unidos – a mais cotada sendo, até aqui, a busca de parcerias – e traçar estratégias de marketing e gerenciamento.
De volta a Boston, eles vão elaborar um relatório sugerindo à Automatos o que fazer, como fazer e quando fazer. Porém, mesmo com esta mãozinha providencial, ganhar o mercado americano não será uma tarefa fácil. Como lembra Marco Borla, apesar de o país ser bom no desenvolvimento de softwares, a aceitação nos EUA é sempre um desafio. Além de investimento em marketing e marca, será preciso quebrar o preconceito existente e garantir que o nosso produto é confiável.
Mas, se tudo correr bem, isso será apenas uma questão de tempo, na opinião confiante de Shervin.‘‘Hoje os Estados Unidos já importam tecnologia indiana. Eu não sei por que o mesmo não aconteceria com o Brasil. Na teoria, pelo menos, a tecnologia não tem barreiras’’, afirma.
Serviço: Para se cadastrar no Global e-lab, é preciso entrar em contato com Richard Locke, através do endereço eletrônico rlockemit.edu.

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