No primeiro dia de aula todos chegam com receio, até de provocar danos ao equipamento. Poucos têm habilidade para manusear o ‘mouse’. Sentem dificuldades em entender quando os filhos e netos falam sobre ‘abrir e fechar arquivos, salvar como ou entrar no sistema’. Mas uma grande vontade de aprender.
A advogada aposentada Aline Bittencourt, de 69 anos, ainda tem um pouco de medo de ‘‘ficar mexendo’’, mas quer ‘‘saber usar tudo’’. Aline já comprou e instalou um Pentium em casa. ‘‘Meu sobrinho, que usa muito computador, não tem paciência para me explicar. Ele faz tudo muito rápido, por isso entrei para o curso’’, disse.
Aline compara o computador com uma oficina mecânica. ‘‘A gente sabe que existe aquelas coisas no motor do carro mas não sabe bem para que servem. Para algumas coisas é preciso mais cuidado, outras a gente só precisa verificar de tempos em tempos. É bem como um computador’’, reforça.
O único dos oito alunos da turma que conseguiu se entender logo no início com o ‘mouse’ foi o dentista aposentado Wilson Soares Ribeiro, de 78 anos. A habilidade desenvolvida durante anos de profissão proporcionou uma coordenação motora perfeita.
Ele e a mulher Juni de Castro Ribeiro, de 68 anos, diretora de escola aposentada, só vão fazer a primeira fase do curso. ‘‘Para nós já atingiu o objetivo de saber para que serve o como funciona um microcomputador’’, disse Juni. ‘‘A gente não vai mais ficar boiando na conversa com os filhos e netas. Mas o computador é realmente uma coisa espetacular’’, reconhece.
A professora Cleusa Perez se distingue pela paciência e disponibilidade. ‘‘As pessoas com mais idade têm dificuldade em manusear o mouse. Por isso a gente ensina a clicar uma vez e dar o enter. Assim as dificuldades começam a ser transpostas’’, disse.
Além da vontade de aprofundar conhecimento, os alunos destacam também a oportunidade de fazer novas amizades e ampliar o convívio social - um dos objetivos dos cursos desenvolvidos pelo Senac para a terceira idade.

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