- Alô, Zeca, tudo bem? Acabo de chegar a Machu Picchu, depois de caminhar por três dias pelos Andes! A paisagem é linda. E a sua aventura, como vai?
- Fala, Paulão! Está nevando demais aqui, ainda não consegui chegar no topo do Everest.
Esta conversa aparentemente surrealista será perfeitamente possível quando uma nova maravilha da comunicação entrar em ação: o telefone mundial, aparelhinho de mão igual a um celular comum, mas que conserva sempre o mesmo número, esteja o usuário onde estiver.
Os telefones mundiais poderão significar o início do fim dos códigos locais, e da mais frustrante das gravações: - O número discado está fora da área de alcance -. Não há área fora do alcance dessa tecnologia, que permite a transmissão de voz, fax e dados, e praticamente não é afetada pelas condições climáticas.
O maior projeto do setor, com investimentos em torno de U$ 5 bilhões, é o Iridium, de um consórcio internacional de 17 empresas liderado pela Motorola. Segundo o Aurélio, iridium é um ‘‘elemento metálico, duro, brilhante, muito denso, utilizado em ligas especiais’’. Assim como cada um dos 66 satélites previstos para compor o sistema.
Mas o nome do projeto se deve a outra coincidência, que acabou não se concretizando: o número atômico do elemento químico é 77, e a idéia inicial era colocar em órbita 77 satélites. Graficamente, a relação seria perfeita, porque os elétrons giram em torno do núcleo do átomo assim como os satélites giram em torno da Terra. Mas o número final acabou ficando mesmo em 66.
Treze deles já estão em órbita; seis foram lançados em cinco de maio e sete em 18 de junho. Alimentados por energia solar, são pequenos, leves (700 quilos) e rápidos - dão a volta à Terra em 100 minutos e 28 segundos. Ficarão distribuídos em seis planos orbitais que acompanham os meridianos, passando por cima dos pólos. Cada plano terá onze satélites operacionais e um de reserva. Girarão em torno da Terra em órbita baixa, a 780 quilômetros da superfície.
As ligações transversais entre os satélites serão feitas nas frequências da banda Ka, e as comunicações telefônicas acontecerão nas frequências da banda L. A vida útil dos satélites varia de cinco a oito anos, após o que se desintegram. As estações terrestres - ‘‘gateways’’, ou portões - farão o elo entre a rede e o sistema de telefonia comum ou celular.
O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar um dos 11 ‘‘gateways’’ do projeto Iridium, sendo o único ponto-base do sistema para a América do Sul e Caribe. As obras da instalação, em Guaratiba, já estão prontas, e a parte eletrônica chega ainda este mês. O Rio de Janeiro arrecadará um volume considerável de impostos, já que será o ponto de faturamento de todas as comunicações nacionais feitas pelo sistema Iridium - afirma o presidente da Iridium Sudamerica Corporation, Cleofas Uchôa.
A exploração do serviço depende de uma licença do Governo. Mas, segundo Roberto Kresch, assessor da presidência da Iridium Sudamerica, a concessão é quase certa.
Os telefones Iridium estarão disponíveis a partir de setembro de 1998. A Iridium Sudamerica espera contar com 150 mil assinantes no Brasil em 2001, o que representará 50% do número usuários do continente e do Caribe. No mundo, a empresa prevê atender a mais de dois milhões de assinantes em 2002.

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