Agenda 21: ruptura da sociedade industrial
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Raquel de Carvalho 
Aspásia Camargo:a era industrial está morrendo e está nascendo uma nova sociedadeA aprovação da Agenda 21 como meta a ser perseguida por países de todo o planeta tem a importância atribuída à remota descoberta do fogo. A comparação é de Aspásia Camargo, secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e uma entusiasta do tema.
Aspásia afirma que a Conferência Rio-92 foi um marco na busca pela perpetuação do planeta.Estamos vivendo uma ruptura. A sociedade industrial está morrendo e uma nova está nascendo, disse ela a um grupo de jornalistas que esteve em Brasília, em junho, para um workshop no Ministério do Meio Ambiente.
A mudança exigida pela Agenda 21 não tem por fim simples ações conservacionistas. Ela requer uma ampliação do conceito de capital. A contabilidade agora é outra - a do capital social, afirma. Ao lado da mudança dos padrões de produção - em que a durabilidade é o mote principal, contrastando com a apologia ao descartável da década de 80 - a ordem agora é valorizar as relações afetivas e humanas.
A secretária-executiva não se limita ao plano das idéias. Segundo ela, o mundo inteiro, através de seus governos tem que partir para ações efetivas. Segundo ela, existe uma mensagem de escassez muito forte e isso exige palnejamento estratégico voltado para o novo modelo de desenvolvimento. O momento é de precaução. Por que pagar amanhã o que se pode evitar hoje?questiona, indicando que as ações devem ser integradas e de acordo com as particularidades de cada país.
O esforço também não se limita ao Estado. A sociedade civil e setor produtivo têm papel importante na definição do caminho a ser percorrido. O governo criou no mês passado a comissão que vai traçar o plano estratégico para a Agenda 21 no Brasil. Segundo Aspásia Camargo, prefeitos de diversas regiões do País, como Anápolis, Goiânia, em Goías e São José do Rio Preto (SP), têm se interessado pelo tema, o que culminou com o lançamento da Agenda 21. Agora, conforme frisou a secretária, é preciso que lideranças da sociedade acompanhem o andamento das ações para que não se restrinjam a um ato político.


