B. Piropo
Agência O Globo
Do Rio
Quando o assunto é uma nova versão de sistema operacional, uma pergunta se impõe: vale a pena migrar? Para a maior parte dos que usam Windows 98 em máquinas domésticas, talvez o melhor seja ficar mesmo como está. Começando pela razão mais óbvia: o Windows 2000 foi concebido para uso corporativo, não doméstico. Além disso, o principal argumento da MS para justificar a atualização é a inclusão no Win2000 de muitas das funções do Windows 98. Para quem já usa o 98, é pouca vantagem.
Em contrapartida, as desvantagens são consideráveis: maior dificuldade de instalação, incompatibilidade com uma lista razoável de programas (especialmente jogos e utilitários) e com uma alentada relação de hardware. Portanto, visite www.microsoft.com/windows2000/upgrade/compat/search/default.asp antes de migrar, tendo em mãos a relação de seu hardware e software.
Por outro lado, o Windows 2000 é mais seguro e estável que o Windows 98. Se estas são questões importantes para você, se seus programas habituais não estão incluídos na lista de incompatibilidades, se está disposto a desembolsar R$ 288,00 pela atualização da versão Professional e se seu hardware ‘‘aguenta o tranco’’, considere a atualização. Do contrário, fique com seu 98.
Já se você usa Windows NT, a conversa é outra. Comparado com ele, o Windows 2000 traz tudo que os usuários do NT invejavam no Windows 98 e não tinham onde obter. Na verdade, o Windows 2000 é um sistema operacional com alma de Windows NT e cara de Windows 98. Portanto, quem usa o NT deve considerar seriamente a hipótese de atualizar.
Há, é claro, a questão dos bugs. Em mais de 30 milhões de linhas de código, é de se esperar uma quantidade razoável de erros. Portanto, é impossível evitar o assunto ‘‘bug’’. Principalmente depois que a revista ‘‘Smart Reseller’’ divulgou a existência de 63 mil deles no Windows 2000. A Microsoft, imediatamente, emitiu um comunicado informando que esse número resultou da varredura do código do Windows 2000 por uma ferramenta auxiliar que aponta possíveis falhas e que funciona de forma similar aos corretores ortográficos. Logo, muitas das falhas apontadas não seriam verdadeiramente erros, mas trechos de código que a ferramenta não soube interpretar corretamente.
A MS afirma ainda que foram distribuídas 750 mil cópias beta do sistema, que vem sendo usado e implementado por mais de cem empresas brasileiras e por uma lista respeitável de nomes internacionais (inclusive Boeing e Wells Fargo), que aprovaram o produto. E acrescenta que estudos comprovaram que o Windows 2000 é duas vezes mais estável que o NT 4.0 Workstation e três vezes mais confiável que o Windows 98 (o que, confesso, não sei se ajuda ou atrapalha a argumentação).
De qualquer forma, mesmo considerando 63 mil um número exagerado, há que se admitir a presença de bugs em uma versão tão nova. E sistema operacional com bugs, mesmo poucos, é uma desgraça. O que leva muita gente a recomendar cautela, aconselhando esperar pelo menos até que o primeiro service pack seja liberado.
Talvez por isso, nos EUA, a imprensa especializada não tem sido favorável à migração. Um longo e minucioso artigo de Chris DeVolney e Eric Carr, na ‘‘Smart Reseller’’ (leia em www.zdnet.com/sr/stories/news/0,4538,2438854-1,00.html) analisa detalhadamente a questão, comparando ponto a ponto o Windows 2000 com sistemas operacionais concorrentes. A comparação discute recursos de gerenciamento, segurança, confiabilidade, suporte à Internet, ferramentas de conversão, necessidades de hardware e multiprocessamento paralelo. E conclui: ‘‘Feita uma análise global, não encontramos nenhuma razão que obrigue a fazer a atualização neste momento... Eventualmente, haverá uma massa crítica de máquinas (usando o Windows 2000). Quando isso ocorrer, seus clientes poderão ter uma razão que os force a migrar. Hoje, eles não têm’’.
Mas provavelmente a opinião de maior repercussão foi o relatório do Gartner Group (veja artigo, cujo título sugestivo é algo como ‘‘Gartner joga água no chope da festa da MS’’ em http://search.knowledgestor.com/info/com.g2news_csn_316_02.html). Uma opinião especialmente importante por ter sido emitida justamente por quem criou o conceito de ‘‘custo total de propriedade’’ (TOC, ou ‘‘total cost of ownership’’), que computa custos diretos e indiretos, como necessidades de treinamento, perdas de produtividade durante o período de adaptação e outros fatores difíceis de quantificar.
Segundo o relatório, a migração do NT 4.0 para o Windows 2000 Professional custará entre US$ 1.250 e US$ 2.050 por máquina cliente, e o do Windows 9x para o 2000 ficará entre US$ 2.015 e US$ 3.100 por máquina. Ele afirma que estes números ‘‘dificultarão o retorno de investimentos, baseado no Custo Total de Propriedade, em menos de três anos’’. A repercussão foi tamanha que levou a uma queda de 6% nas ações da MS e derrubou a bolsa de Nova York.




France Presse

PALPITE INFELIZ - ‘‘O Windows 2000 é consideravelmente mais confiável que outros lançamentos da companhia’’. Palavras de Bill Gates. Humm...Quer dizer que os outros produtos não eram realmente confiáveis!?! Que pedrada nas janelas, hein, Tio Bill!?! (Cristina de Luca, Agência O Globo)

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