Jay Dougherty
Deutsche Presse,
de Washington
À medida que se aproxima o ano 2000, os especialistas não param de escrever sobre os avanços da tecnologia de informática nas últimas décadas. Lemos também sobre a fantasia do que será daqui a dez, vinte ou cem anos.
Estas previsões são interessantes, mas a triste realidade é que temos que conviver com o presente. E, enquanto ouvimos os elogios sobre quão rápidos e fáceis se tornaram os computadores, passamos a maior parte do tempo maldizendo esta maravilha da ingenuidade tecnológica que chamamos PC. Vejamos as razões.
Nosso acesso à Internet é demasiado lento. Viajamos na velocidade de um caracol até o acesso universal da banda larga, essa rápida conexão à Internet da qual todos precisamos e que a indústria da computação quer nos fazer crer que já temos.
As maiores empresas de telecomunicações em muitos países estão marcando passo e mantêm as tarifas de acesso a níveis proibitivos, cobrando por cada minuto de uso. Mesmo nos Estados Unidos, onde as chamadas telefônicas locais não têm limitação de tempo, acredita-se que menos de um milhão de pessoas dispõem dessa maravilha futurista que é o acesso de banda larga.
Virtualmente, todos os programas de software e todos os sistemas operacionais são atualmente feitos para a Internet. Mas a maior parte do mundo continua conectado à rede através de modems análogos de baixa velocidade.
A má qualidade das linhas e os regulamentos das companhias telefônicas locais limitam a verdadeira velocidade dos modems análogos a 42Kpbs - mesmo com um modem de 56Kbps (kilobytes por segundo).
Mas existem muitos que nem sequer podem usar seus modems de 56Kbps a mais de 30Kbps. Na Europa tem-se a sorte de chegar aos 16Kbps. Em muitos países da América Latina só se chega aos 9.6Kbps, quando o vento está soprando a favor.
Além disso, muitos sites da Web têm gráficos e clipes de vídeo e som, como se todos tivessem uma conexão de banda larga de alta velocidade. Alguma coisa anda mal aqui.
Por outro lado, nossos aplicativos e sistemas operacionais não são estáveis. Mostre-me um usuário de Windows 95 ou 98 e falarei de uma pessoa cujos programas acusam rotineiramente uma ‘‘operação ilegal’’ e cujo sistema operacional tem que ser reiniciado periodicamente para que continue funcionando. E, apesar de tudo que se diz, os usuários de Macintosh não sofrem menos.
Agora, tão próximo do novo milênio (que começa, de fato, na virada para 2001), na aurora de uma nova era, os computadores parecem menos confiáveis do que eram há 15 anos, quando o sistema DOS era mais uma opção, e WordPerfect 4.2 ou Lotus 1-2-3 funcionavam (e eram confiáveis) na maioria dos computadores.
É verdade que avançamos muito no que se refere ao que podemos fazer com o computador - e quanto podemos fazer ao mesmo tempo. Mas, falando em termos reais, o computador com o Windows 98 mais estável é aquele em que foram instalados poucos softwares e em que é realizada somente uma tarefa ao mesmo tempo. O que se parece muito com o DOS.
E ninguém pode evitar o ciclo da atualização. Lembra quando você comprou seu primeiro computador? Provavelmente justificou o gasto dizendo que era um investimento e imaginando os anos que ele lhe prestaria valiosos serviços.
Mas, agora, para se manter em dia com o resto do mundo, você tem que atualizar seu software ou hardware pelo menos de dois em dois anos. Se não, ele vira uma peça de museu, que usa programas que ninguém mais usa e com um hardware que é incapaz de ajudar os novos programas. Desta forma, você tem que atualizá-lo.
Quando terminará esta loucura? Talvez quando tenhamos acesso à Internet de banda larga. Então obteremos os programas e as atualizações de hardware através da Rede à medida que necessitemos. Talvez seja mais cômodo, mas será preciso pagar por isso. Sem remédio.
Ainda não existem normas para memórias portáteis de alta capacidade. Gostemos ou não, temos que continuar usando os antigos disquetes de 1.44Mb para levar os documentos de um lugar para outro. O problema é que o venerável disquete de 1.44Mb não tem capacidade para os enormes arquivos atuais. Isto obriga o usuário a recorrer a outros meios de armazenagem.
E o que se encontra? Gravadores Zip, CD-R ou CD-RW, megafloppies, fitas, gravadores DAT, Jaz ou SyQuest, com todas suas vantagens, mas incompatíveis uns com os outras. Desta forma, se você quiser transferir vários arquivos de um computador para outro, primeiro terá que averiguar se esse computador as aceita ou não.
É verdade que, se você adquire um gravador de discos CD-R, ele lhe permite fazer discos que podem ser lidos em qualquer computador equipado com CD-ROM. Mas esses discos CD-R não são reutilizáveis, de modo que cada vez que usar um para transportar arquivos de um lugar para outro, está também queimando seu dinheiro.
Afinal das contas não existe um suporte de armazenagem portátil que, sendo reutilizável e econômico, seja equivalente a um disquete, que cada vez se torna mais inútil.
Existe atualmente muitos paradoxos no mundo da computação, desde gravadores auxiliares sem capacidade para armazenar os enormes discos rígidos atuais, até computadores portáteis cujas baterias duram a metade do tempo que as de dez anos atrás.
Podemos esperar que a tecnologia do futuro faça uma plástica da atual tecnologia? A dúvida é razoável. Por outro lado, não deve-se esquecer que, desde a perspectiva das primeiras horas do que hoje chamamos a era da informação, já estamos vivendo o futuro, aqui e agora mesmo.
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