Admirável emprego novo
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de junho de 2000
Agência O Globo Do Rio 
Novas profissões pipocam com a velocidade de uma conexão em banda larga. Uma das expressões mais atuais desse momento efervescente é o chamado e-lancer
Quando os PCs começaram a tomar o mundo de assalto, na década de 80, junto com a perspectiva de maior tempo livre que a tecnologia proporcionaria vinha um grande temor: o de que as máquinas devorassem profissões e empregos em sua marcha avassaladora. De fato, departamentos inteiros sumiram no processo e a pulga atrás da orelha mordeu ainda mais. Só para citar exemplos na indústria gráfica, arte-final e composição praticamente não existem mais e a fotolitagem está com seus dias contados.
Entretanto, com o advento da Internet, o processo se inverteu. Hoje, novas atividades surgem à mesma velocidade com que antigas penduram as chuteiras. Webmasters, webdesigners, editores de conteúdo, gerentes de Internet e e-commerce, profissonais de WAP e webwriters se misturam a profissões antigas que ganharam novos contornos com a Grande Rede: jornalistas (que invadem os sites), engenheiros de telecomunicações (hoje especialistas na chamada telemática), programadores e analistas (que precisam entender o mundo ASP, em pleno florescimento), e assim por diante.
Para a jornalista Cristina De Luca, editora do Globo On, uma das mais atuais expressões desse momento efervescente é o chamado e-lancer. É o free-lancer da Internet, explica. É o sujeito que deixa uma grande empresa para apostar numa empresa Web menor, ou montar seu próprio negócio virtual. Ou para ficar em casa, trabalhando para vários sites ao mesmo tempo.
Segundo De Luca, a multidisciplinaridade do mercado Web dificulta a rotulação dos novos profissionais.Nossa maior preocupação é como regulamentar essas funções novas que estão surgindo. Aqui, partimos para a idéia de produtor Web, porque os jornalistas têm tarefas múltiplas. Não só apuram e redigem, como também botam a mão em HTML, digitalizam imagens e sons, e por aí vai. Outras empresas chamam esses profissionais de pesquisadores Internet.
A questão da formação é, do mesmo modo, relativa. Um produtor Web não tem necessariamente curso superior. Tenho aqui um profissional de 22 anos que praticamente nasceu com o computador na mão, fuçando tudo, e hoje tem quase um cargo de chefia por ser proficiente em ASP diz De Luca. Ele nunca fez um curso de design, mas trabalha com o Photoshop como ninguém. Assim, temos especializações que nascem do próprio mercado e não de um estudo formal.
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