Acusações não intimidam Bill Gates
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Edinelson Alves Correspondente em Miami 
Arquivo FolhaDono do mundoGates: Seria um desserviço não colocar no Windows os recursos da InternetBill Gates, o homem mais rico do mundo, e a sua maior produtora mundial de software, a Microsoft Corp, estão atravessando dias de intenso fogo cruzado. São processos, acusações e denúncias que tentam provar que, apostando tudo no crescimento acelerado, a companhia não respeita normas ou qualquer outro tipo de regra para garantir lucros. Toda oposição está sendo feita para conter o monopólio da Microsoft. Nessa vigilância constante sobre os últimos passos e negócios de Gates, até o valor do imposto sobre propriedade que ele terá que pagar (US$ 600 mil) de sua mansão em Seattle (com valor estimado em US$ 53,4 milhões) serve como munição para os seus críticos.
A acusação mais grave, porém, foi feita no início dessa semana pela procuradora geral da Justiça dos Estados Unidos, Janet Reno. Ela apresentou uma petição num tribunal federal de Washington denunciando a Microsoft por ter violado um acordo antitruste, e o Departamento de Justiça poderá aplicar multa de US$ 1 milhão ao dia se a companhia não mudar a sua política. Isto é, se a empresa de Gates não parar de forçar os fabricantes de computadores pessoais a incluir seu browser (softwares que permitem navegação nos dados eletrônicos entre computadores em casas, escritórios e instituições) de Internet ao instalar seu sistema operacional Windows 95. Ao fazer a exigência para que os fabricantes instalassem seu Internet Explorer, a Microsoft teria, segundo a procuradora da Justiça, quebrado um acordo firmado em 95.
Do outro lado da linha dessa disputa está a Netscape Communication Corp, que disputa com a Microsoft o domínio dos browsers nesse atrativo mercado da Internet. Para não pagar a milionária multa, os advogados de Gates já ensaiam todas as estratégias possíveis de argumentação. Um princípio fundamental na Microsoft é que o Windows está melhorando e torna o PC mais fácil de ser usado a cada nova versão. Estamos dando uma funcionalidade ao Windows e fornecendo uma plataforma para a inovação para milhares de outras companhias de software. Seria um enorme desserviço se nós não colocássemos no Windows recursos de Internet, justificou o próprio Bill Gates ao jornal The New York Times.
Investigação na Europa O poderio da Microsoft também causa incômodo à concorrência na Europa. A principal acusação que está sendo investigada pela Comissão Européia é de que a companhia de Bill Gates teria realizado acordos que violam o princípio da livre competição e estariam forçando seus concorrentes a sair do mercado. A companhia norte-americana havia fechado um acordo com a Justiça dos Estados Unidos. Nos dois continentes, as suspeitas contra a empresa de Gates são as mesmas: forçar a entrada de seus produtos, ignorando os acordos estabelecidos para as práticas comerciais.
A Sun Microsystems, da Califórnia, apresentou, recentemente, uma denúncia contra a Microsoft por quebra de contrato. É que o último programa de navegação por Internet Explorer 4.0, da Microsoft, não é totalmente compatível com as aplicações escritas do Java para Internet da Sun Microsystems. A Sun não quer que a Microsoft use em seu programa compatível com Java. Isto porque, segundo a Sun, a Microsoft transformou a tecnologia Java para Explorer 4.0, tornando incompatível o uso com outros sistemas, a não ser com o Windows. No processo da Sun, são várias as acusações: violação de marca, publicidade enganosa, ruptura de contrato, e ainda concorrência desleal. A Microsoft disse que só fez modificações no Java para revalorizar as capacidades próprias do Windows e Explorer.


