Acer quer ser a líder na América Latina
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Carlos Ossamu Taiwan 
Arquivo FolhaEsforçoMontar produtos no País faz parte da estratégia da empresaUma coisa vem incomodando Stan Shih e possivelmente até tirando o sono do principal executivo do Grupo Acer, um gigante de Taiwan que fatura US$ 5,8 bilhões ao ano: como conquistar o mercado brasileiro. Em vários países da América Latina a empresa encabeça o ranking dos fabricantes de computadores, menos no Brasil, o principal mercado da região. Em relação à América Latina, em territórios de língua espanhola, nós somos os primeiros, menos no Brasil. Estamos buscando fortalecer a produção, pois o Brasil, por suas características, exige um esforço maior na produção local, comenta o executivo.
Entre suas ambições, uma parece estar bem clara: ser o líder absoluto na América Latina. Mas, para isso, será preciso melhorar sua posição no Brasil. A Acer iniciou sua atuação no mercado nacional em 1992, com um contrato de distribuição com a ACBr Computadores e posteriormente começou a montar seus produtos em Alphaville, região da Grande São Paulo.
No início deste ano, ela deu um passo importante para quem deseja subir no ranking. Comprou a ACBr e fincou definitivamente seus dois pés no País. Isso é fundamental para que haja um compromisso com as exigências do mercado brasileiro. Nós esperamos que, dentro de um tempo razoável, a infra-estrutura no Brasil possa estar madura e estabelecida, para podermos atender melhor nossos clientes, diz Shih.
Como tempo razoável ele calcula pelo menos cinco anos para que a infra-estrutura da Acer do Brasil esteja amadurecida. Na sua opinião, ainda há muito trabalho a ser feito em relação à equipe de gerência, distribuição e produção. Um outro obstáculo a ser superado é quanto a imagem que normalmente se faz dos produtos vindos de Taiwan, associados ao contrabando. A cultura brasileira em informática é americanizada.
No campo das novidades tecnológicas, Shih adianta que a Acer deverá entrar na briga dos Network Computer (NC), terminais de baixo custo em que todas as informações estarão armazenadas em um servidor. Nós vamos ter um NC, mas, para nós, essa é a definição de um computador PC para rede. Se você desenvolve um NC utilizando uma CPU diferente, o problema será se o mercado irá aceitar o produto, observa. Para ele, se daqui a 3 ou 5 anos o mercado determinar uma plataforma de NC diferente do PC, a Acer terá todas as condições de desenvolver a tecnologia. Na sua opinião, agora é arriscado investir em uma nova plataforma.
Na visão do executivo, os microcomputadores devem ficar cada vez mais poderosos e integrar diversos recursos, como telefonia, tevê, áudio, vídeo e comunicação. O importante é que seja barato, fácil de usar e sobretudo útil. Muitas vezes, como em conteúdos na Internet, a operação não é tão fácil e as ferramentas são muito sofisticadas. Tudo isso precisa ser mudado e, desta forma, será possível criar muitas oportunidades no segmento de softwares.
Em relação a novos investimentos, a Acer está construindo uma cidade tecnológica em uma área de 172 hectares próxima a Taipei, que exigirá investimentos iniciais da ordem de US$ 4 bilhões. Batizado de Aspire Park, a cidade abrigará parque industrial, centro de pesquisa e desenvolvimento, instituições educacionais, área de lazer e residências. Stan Shih aproveitou para anunciar o programa Acer Venture Fund 21, um plano de investimentos a longo prazo envolvendo empresas do Grupo Acer e parceiros financeiros. O fundo começa com recursos da ordem de US$ 85 milhões, mas espera-se que o montante cresça para mais de US$ 1 bilhão nos próximos anos.
O jornalista Carlos Ossamu viajou a Taipei a convite da Acer


