A verdade por trás dos óvnis
Pela primeira vez em toda a sua história, o respeitado jornal Washington Post abriu grande espaço, em sua edição de segunda-feira, 29 de junho, para o assunto ufologia: uma página inteira com a síntese de um relatório de cientistas norte-americanos e europeus que estudaram os avistamentos de óvnis (Objetos Voadores Não Identificados) nos últimos 30 anos.
Alguns registros de avistamentos de óvnis merecem um estudo mais aprofundado, afirma o relatório dos cientistas, embora não existam ainda evidências de homenzinhos verdes lá no espaço. A conclusão final do relatório é de que a ciência negligenciou de forma negativa esse estudo, apesar da existência de numerosos relatórios de avistamentos e do interesse público no assunto.
Arquivo FolhaNove cientistas examinaram evidências mostradas em fotos e relatórios policiaisO líder do grupo de especialistas que discutiu o assunto durante um painel de vários dias é o físico Peter Sturrock, da Universidade de Stanford. Seria muito importante estudar os relatórios de óvnis com cuidado e interesse para conseguir informações sobre um fenômeno atualmente desprezado pela ciência, ele afirmou. O fenômeno óvni não é simples e não parece existir uma resposta única, universal para ele.
Nove cientistas de instituições como o Observatório de Altas Altitudes, de Boulder, Colorado, Universidade do Novo México e Universidade de Bordeaux, França, examinaram com cuidado desde evidências mostradas em fotos de óvnis até relatórios de policiais, como o de um que teve seu carro-patrulha totalmente imobilizado por um objeto voador que emitia luzes fortes e coloridas.
Além da grande importância do relatório - que durante dias repercutiu em todo o mundo - existem alguns aspectos nas entrelinhas que precisam ser olhados com muito carinho. Um deles é o receio que o grupo de cientistas demonstrou ao liberar as informações em público. Eles conhecem o desprezo e a tentativa de ridicularização que costuma acompanhar assuntos mais ousados, como a ufologia, não só entre leigos, mas também entre os chamados cientistas. A respeito disso, quem se manifestou pelo grupo foi o profº Van Eshleman, nada mais, nada menos, que umespecialista em atmosferas de outros planetas. Ele admitiu que com o relatório corremos o risco de sermos considerados ridículos, mas estamos abrindo uma Caixa de Pandora; eu sou um professor emérito e não me preocupo com isso.
O outro ponto que merece algum carinho é a necessidade de se descobrir um motivo claro e lógico para a resistência da grande maioria das pessoas a tudo o que não conseguem entender ou controlar. Existem explicações psicológicas a respeito. O medo é uma delas: as pessoas sentem-se seguras com o fato de acharem que tudo aquilo que pensam ou sabem seja verdade. Quando surge uma informação que possa negar ou contrariar aquilo que parece verdadeiro e seguro, ela é vista como uma ameaça, passando a ser rejeitada ou atacada. Para essas pessoas, o cabedal de conhecimentos é percebido e tratado com a mesma solidez e importância de um investimento financeiro.
Esse não é um fenômeno recente. Uma pesquisa histórica mostra casos em que o excesso de soberba (segundo o dicionário Aurélio, soberba é orgulho excessivo, altivez, arrogância, presunção) de pessoas famosas e importantes levou a declarações que se não fossem trágicas, seriam cômicas.Arquivo FolhaAvistamentos de óvnis foram deixados de lado pela parte séria da CiênciaEduardo Castor Borgonovi
Agência Estado





