A terra está estressada
A TERRA ESTÁ ESTRESSADA
Estresse ambiental, caracterizado por desenvolvimento deficiente das plantas, atinge boa parte do mundo
Eduardo Castor Borgonovi
Agência Estado
Reprodução
O estresse ambiental atinge várias regiões do planeta e diminui gradualmente o índice de terras cultiváveisDepois da explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, o mundo viveu o medo de uma destruição nuclear total: o Armagedon, a batalha final da Bíblia e das profecias. Agora, entretanto, às vésperas do terceiro milênio, físicos, químicos, ecologistas, psicólogos e outros observadores da vida no planeta começam a substituir a possibilidade da destruição rápida e total por um apocalipse mais lento, menos perceptível mas não menos aterrador: o fim da espécie humana pelo progressivo desmatamento, poluição do ar e da água, esgotamento das fontes de energia e escassez de alimentos, entre outras causas.
O estresse ambiental (desenvolvimento deficiente das plantas em consequência dos desequilíbrios ecológicos) atinge boa parte das terras cultiváveis no mundo - e cerca de 50% no Brasil, mais especialmente no Nordeste, segundo relatórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Diante das perspectivas sombrias, técnicos de todo o mundo discutem o desenvolvimento de novas plantas adaptadas ao clima tropical e técnicas de cultivo fundamentadas nas condições ambientais do local.
Num artigo publicado no jornal The New York Times no ano passado, o colunista Anthony Lewis alertou para o que ele definiu como corrosão surda do planeta. Segundo ele, nos próximos cinquenta anos, a população da Terra deverá passar dos atuais 5,6 bilhões de pessoas para mais de nove bilhões e, se o mundo inteiro tiver, nessa época, o atual nível agrícola dos países do Primeiro Mundo, esse crescimento será suportável. Entretanto, acrescenta Lewis, 95% do crescimento da população ocorrerão nas regiões mais pobres do mundo, onde a situação se tornará dramática.
Três países são citados nominalmente, como locais onde medidas imediatas tornam-se necessárias: Brasil, Nigéria e Índia. As advertências dos cientistas para esses problemas não são recentes, mas só agora começa-se a perceber que eles crescem em altíssima velocidade.





