A sobrevivência em situações extremas
Pesquisa realizada na Antártica fornece subsídios para melhorar a saúde humana em situações de estresse
ReproduçãoAntártica: território gelado serviu de base para pesquisa no campo dos vôos espaciais e em situações de estresseVilem Bischof
France Presse
Vinte e sete homens acabam de passar um ano em isolamento total na base antártica francesa de Dumont-d’Urville (Terra Adelie), submetidos a exames médicos e psicológicos no âmbito de um estudo sobre a vida em condições extremas.
O objetivo deste programa científico, feito pelo Instituto francês de Pesquisas e Tecnologias Polares (IFRTP) e do Instituto francês de Biotecnologia de Troyes (IBT), era estudar o sistema imunológico e homornal do homem em um meio ambiente hostil e isolado, bem como sua adaptação psicológica. Foram testados, ainda, instrumentos de telemedicina.
Participaram da experiência 27 voluntários entre 20 e 50 anos de idade.
‘‘Os resultados do programa terão aplicações e influências na nova estação antártica franco-italiana Concordia, já instalada como acampamento de verão a 1.100 km de Dumont-d’Urville, que começou a ser utilizada em caráter permanente a partir de março ou abril de 2003’’, disse Gérard Jugie, diretor do IFRTP, ao apresentar a missão em Paris.
Mas, o programa foi concebido também como um modelo para as estadias no espaço, particularmente a bordo da futura Estação Espacial Internacional.
Os homens que participaram do estudo eram, verdade, membros de uma missão normal de cientistas, engenheiros e técnicos, como as que são anualmente enviadas há 40 anos à base de Dumont-d’Urville, acessível apenas por barco, durante o breve verão austral a partir da ilha australiana da Tasmânia.
Mas, tudo foi feito exclusivamente com participação voluntária, reforçou o doutor Richard Gaud, chefe da expedição e seu responsável médico. Desta forma, apenas 16 homens participaram do programa, pois outros tiveram medo dos repetidos exames de sangue exigidos para a pesquisa.
‘‘No campo psicológico, os homens deviam responder questionários, descrever como se sentiam, como gostariam de estar e como pensavam ser percebidos pelos outros’’, continuou o médico.
‘‘Dirigiram-se a mim para fazer confidências e nem sempre foi fácil saber se me procuravam como autoridade ou médico. Na medida em que o tempo passava, esta necessidade foi se tornando mais profunda’’, disse.
Alguns estudos foram concluídos depois da missão, mas outros, como a análise das células sanguíneas, tinham que ser imediatamente feitas. A única solução para isso foi recorrer a um sistema automático instalado na base. Este instrumento de análises hematológico foi fornecido pela empresa francesa ABX, que encontrou na Antártica um campo de testes excepcional.
Jugie comemorou o sucesso da missão, que foi possível ‘‘graças a uma colaboração científica, institucional e industrial’’.
O doutor Gaud disse finalmente que ‘‘por enquanto é prematuro avançar em todas as conclusões a respeito dos resultados esperados, mas estamos certos de que serão muitas as consequências para a saúde humana no campo dos vôos espaciais e no tratamento do estresse da vida cotitiana’’.

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