A Síndrome do século XXI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de janeiro de 1998
Priscilla Fogiato 
A síndrome do ano 2000 ou bug do milênio, como vem sendo conhecida, é uma doença que atingirá milhares de computadores neste fim de século. Seu sintoma é caracterizado por uma incapacidade dos programas para reconhecer datas com quatro dígitos. A síndrome teve origem nos anos 70, quando a tecnologia ainda era muito cara. Uma das soluções para baratear os custos foi reduzir o campo de data dos programas para apenas dois dígitos. Essa decisão tornou-se uma espécie de padrão, permanecendo assim até os anos 90.
O bug não irá exatamente travar os computadores. Porém, eles reconhecerão a data 00 como 1900 e não 2000. O resultado é um comportamento imprevisível das máquinas. Por isso é que a maioria dos cartões de crédito estão com sua data de validade até 99. Imagine que um contrato assinado em 97 com validade até 2007, por exemplo, teria juros acumulados de 90 anos, pois o computador interpretaria o 07 como 1907. Esse é só um exemplo dos muitos erros que podem ocorrer.
Quem possui máquinas domésticas produzidas após 1996 não precisa se preocupar, pois elas já saíram de fábrica com os programas atualizados. A preocupação mais séria é das empresas de grande porte. O bug só tem uma solução: a revisão de todos os programas. Os números previstos para essa movimentação são assustadores: estima-se consumir entre US$ 600 bilhões e US$ 3 trilhões para a manutenção das máquinas do mundo. E um gigantesco movimento também ocorrerá com os programadores e empresas de consultoria.
Nos EUA, a corrida pela solução começou cedo, ainda em 1992. No Brasil, o problema ainda está longe de ser resolvido. Os consultores são unânimes ao afirmar que a solução fica mais complicada e cara à medida em que ela é adiada. A estimativa é de que, até o fim do milênio, o preço médio da hora de um programador multiplique seu valor sete vezes.
Pesquisas mostraram que apenas 20% das empresas brasileiras já estão trabalhando para solucionar o problema do bug. Dezenove por centonunca ouviram falar do problema e 81% não sabem nem de que se trata. O restante não considera a síndrome uma questão séria. Essa pesquisa serve como um alerta. Os consultores aconselham: quanto mais tarde o empresariado recorrer, pior. O mais prudente é começar cedo pois o mercado técnico corre o risco de não absorver o volume de trabalho.
Priscilla Fogiato é assessora de imprensa da SUL!BBS. Contatos pelo telefone (041) 3321151 ou e-mail [email protected]


