ReproduçãoHá cerca de mil espécies de morcegos em todo planeta, apenas três espécies são hematófagasEles dão arrepios nas pessoas e têm reputação de serem assassinos sugadores de sangue, mas na verdade, os morcegos são belas criaturas.
Assim eles são vistos em Austin - capital do Texas/EUA -onde os morcegos, cerca de um milhão e meio deles, se tornaram o símbolo local e atração turística. Toda tarde, de abril a novembro, mais de duas mil pessoas olham para cima para ver a maior colônia urbana de morcegos do hemisfério emergir de perto de uma ponte da cidade para sua expedição alimentícia noturna.
Conforme os morcegos vão formando uma nuvem negra de proporções quase bíblicas, e viram para oeste até o rio Colorado para uma noite de caça aos insetos, espectadores extasiados os saúdam, no caminho.
AtraçãoA morcegomania se tornou parte da cultura de Austin de um modo que era impensável, 15 anos atrás. Há camisetas dos morcegos e passeios turísticos especiais para apreciá-los, um time de hóquei chamado ‘‘The Ice Bats’’ (Os Morcegos do Gelo). Há até mesmo a ‘‘happy hour do morcego’’, nos bares.
Austin orgulhosamente se auto-intitula ‘‘A capital dos morcegos da América’’, e usa as criaturas para seduzir os visitantes e até mesmo para atrair empresas, tendo descoberto que observar morcegos vende.
‘‘Usamos isso como um exemplo da qualidade de vida que temos aqui. Austin é o tipo da cidade universitária divertida. Os morcegos são parte desse aspecto divertido da cidade’’, afirma Glen West, presidente da Câmara Superior de Comércio de Austin.
‘‘Os morcegos estão na moda, por aqui. Um dos eventos sociais mais quentes é jantar em um dos hotéis no centro e interromper a refeição para ir ver a revoada deles’’, diz West.
O que faz tudo isso parecer ainda mais estranho é o fato de que no começo dos anos 80, quando os morcegos começaram a usar a ponte como toca, houve pedidos para que eles fossem destruídos urgentemente.
‘‘Colônias de morcegos metem os dentes na cidade’’, alardeou a manchete do jornal local. O número dos bichos notívagos era tão grande que as televisões locais começaram a mostrar onde os morcegos estavam, durante os boletins do tempo.
Não demorou muito para que grupos antimorcegos lançassem uma petição urgindo os líderes da cidade que se livrassem deles.
Mas antes que pudessem puxar o gatilho, surgiu Merlin Tuttle. Ele é um acadêmico que usou morcegos para estudar população ecologicamente balanceada, e já sabia há muito que esses pequenos mamíferos alados vinham recebendo uma má fama que não mereciam.
Tuttle fundou um grupo chamado Preservação dos Morcegos Internacional e começou a divulgar um slogan simples - ‘‘morcegos são belos porque comem os insetos daninhos’’.
‘‘Eu percebi que eles são realmente importantes e estavam sendo mortos pelas razões totalmente erradas. O que fiz foi simplesmente divulgar o fato de que os morcegos têm um grande papel ecológico e econômico, sem o qual poderíamos ter problemas’’, diz Tuttle.
O plano afirmava que a cada noite, quando o 1,5 milhão de morcegos saíam voando da ponte, eles estavam auxiliando os seres humanos. Os morcegos comem uma vasta gama de insetos, incluindo mosquitos e pestes agrícolas.
Quando há bastante comida -depois de uma chuva, por exemplo - os morcegos consomem mais de 13.600 quilos de insetos em uma noite.
Esse fato, e um pouco de educação para as massas, ajudaram Tuttle a vencer o principal obstáculo: o estigma de ‘‘vampiros’’, a noção alimentada pelo grande número de histórias e filmes de horror onde os morcegos são retratados como criaturas assustadoras e perigosas, que amam o sangue humano.
‘‘Tudo isso está envolvido no fato de que eles são pequenos, noturnos e difíceis de ver. São aquelas coisas que nos dão arrepios e não sabemos porqu꒒, lembra Tuttle.

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