O Brasil encerrou o mês de julho de 2015 com 14 milhões de acessos pela tecnologia 4G, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Parece pouco quando comparado com o 3G, que chega a 87 milhões de acessos, mas os números da quarta geração da internet móvel surpreendem quando comparados com os de janeiro deste ano, de 7 milhões.
"O rápido crescimento da 4G no Brasil mostra que o País está preparado para uma nova tecnologia", afirma José Otero, diretor da associação setorial de provedores de serviços e fabricantes do setor de telecomunicações, 4G Americas, para América Latina e Caribe.
Esta nova tecnologia a que Otero se refere é a 5G, cujas definições já começam a ser discutidas. A previsão é que esta nova tecnologia seja testada em 2018, quando acontece a Copa do Mundo na Rússia, e esteja em operação até 2020.
A 5G poderá chegar a uma taxa de velocidade máxima de 10 Gbps (Gigabits por segundo) a 20 Gbps – a 4G atinge entre 100 Mbps e 200 Mbps. O tempo de resposta (chamado de latência) da rede 5G também será 50 vezes menor que o da 4G: de 50 ms (milissegundos) para apenas 1 ms. Outro ponto importante tem relação com o número de dispositivos que podem ser conectados à rede. Enquanto a 4G suporta apenas mil dispositivos em uma mesma célula, a 5G deverá suportar mais de um milhão.
Esta ampliação no volume de dispositivos conectados trará impactos positivos principalmente à chamada Internet das Coisas, pois mais objetos poderão ser conectados à rede móvel. O tempo de resposta menor também vai beneficiar o uso das tecnologias em situações nunca vistas antes.
"Imagine um carro inteligente conectado. Com o tempo de resposta da 4G, ele levaria um pouco mais de um metro para parar. Na 5G, se o carro receber um comando para frear, vai levar apenas alguns centímetros para parar", explica Mauricio Higa, gerente de Marketing para Redes Móveis da Huawei, empresa de soluções de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Conforme Higa, a 5G também teria aplicação na área de saúde, com cirurgias controladas remotamente.
No dia a dia, a 5G trará melhores experiências aos usuários principalmente no que se refere à qualidade de vídeo, como para o 4K (com resolução quatro vezes maior que o Full HD) e o 8K, e residências inteligentes, por exemplo. "A 5G é pensada para o requerimento de mais tráfego. Em 2025, teremos muito mais tráfego gerado do que temos hoje", comenta Otero.
Ainda não existem definições de quais serão os padrões utilizados pela 5G. O que se sabe, até agora, é que o seu nome oficial será IMT-2020, em alusão ao ano de 2020, quando se espera que a rede estará operante. O nome e o prazo foram estabelecidos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Mas, em resumo, a 5G terá um "tripé de atuação", conforme Agostinho Souza Filho, gerente de espectro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): "uma banda larga móvel otimizada, comunicação massiva máquina a máquina (M2M ou Machine to Machine) e comunicação ultra confiável de baixa latência (tempo de resposta curto), como para comunicações críticas ou carros conectados."
A Anatel está acompanhando as discussões da UIT e aguarda as definições da entidade, diz Souza Filho. Segundo ele, para novembro, está marcada uma conferência que vai estudar as faixas de frequências candidatas para a 5G. A expectativa é que esta definição esteja pronta já em 2019. (Com Agência Brasil)

Imagem ilustrativa da imagem A quinta geração da internet móvel
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