A Universidade Estadual Paulista, o Instituto de Botânica de São Paulo e a Rhodia S.A. juntaram-se para combater um inimigo que há muito atormenta a vida de moradores da Baixada Santista: os organoclorados. O pentaclorofenol (PCF) e o hexaclorobenzeno (HCB), principais resíduos lançados no meio ambiente pela unidade industrial daquela empresa na região, são altamente tóxicos. Acumulados no tecido adiposo, podem levar ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
Os pesquisadores que participaram do convênio firmado entre as três instituições iniciaram seu trabalho selecionando fungos brasileiros capazes de degradar compostos orgânicos poluentes, em especial organoclorados que contaminam o solo. ‘‘Sabíamos que alguns basidiomicetos (grupo de fungos que inclui os cogumelos) degradam ligninas e muitos compostos poluentes’’, diz a bióloga Kátia Machado, pesquisadora da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais e consultora do projeto, desenvolvido no Centro de Ensino e Pesquisa do Litoral Paulista, em São Vicente.
Dos 160 fungos examinados, quatro (dos gêneros Psilocybe, Trametes, Peniophora e Lentinus) mostraram-se capazes de atacar organoclorados no solo. Embora os mecanismos que levam à degradação ainda não sejam bem conhecidos, sabe-se que as moléculas poluentes são digeridas pela enzima ligninase.
Os resultados obtidos em laboratório promissores, e agora a equipe verifica se eles são válidos também para experimentos feitos numa escala maior, que utiliza volumes de solo da ordem de meia tonelada. Alguns dos resultados obtidos já foram patenteados, devendo os eventuais dividendos ser repartidos igualmente entre a Rhodia e as duas instituições públicas envolvidas no projeto.
Se esses processos biotecnológicos se mostrarem eficazes para grandes volumes de solo e forem comercialmente viáveis, a Rhodia deverá utilizá-los futuramente para descontaminar as 38 mil toneladas removidas há tempos de áreas poluídas e estocadas em enormes sacos plásticos depositados na Estação de Espera da empresa, em São Vicente. Os terrenos da Rhodia vêm sendo descontaminados atualmente por processos tradicionais. Ao todo, são 11 pontos que se espalham pela Baixada Santista, de Cubatão, na serra, a Itanhaem, no litoral.
Os peaquisadores brasileiros envolvidos no combate aos organoclorados que contaminaram a Baixada Santista usaram um procedimetno semelhantes aos já adotados por norte-americanos e europeus, mas tiveram o bom-senso de identificar fungos nacionais para realizar seus experimentos, sem o risco de introduzir um organismo estranho no meio ambiente brasileiro.

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