A nova imagem da imagem
Agência O Globo,
Do Rio
Há poucas coisas mais interessantes neste momento tecnológicamente interessantíssimo do que a fotografia digital. As barreiras que existiam ainda há alguns anos para a sua aceitação ampla, geral e irrestrita começam a desaparecer. Aliás, se desconsiderarmos apenas uma delas - o custo - já não há nada que antes se fazia com filme que não se possa fazer hoje em mídia magnética. Não raras vezes, até melhor. Mas a graça da história para nós, usuários... digamos, normais, não está, é claro, nos mega-sistemas como o que o Metropolitan Museum de Nova York encomendou à Leica e usa para a reprodução dos seus tesouros.
Sistemas assim, de resultados mais que perfeitos, causam profunda impressão em quem os vê mas, como as estrelas da Globo ou a primeira classe da Varig, andam longe demais da nossa realidade cotidiana para causar entusiasmo genuíno. A grande alegria da foto digital está mesmo nas maquininhas e nos periféricos que, mesmo com algum sacrifício, a gente pode alcançar. Hoje, com cerca de R$ 3 mil, o usuário brasileiro já pode comprar (legalmente, diga-se) máquina digital e impressora à prova de parentes conservadores.
Com os R$ 3 mil gastos na dupla câmera digital/impressora, podem-se comprar umas dez máquinas amadoras convencionais que, no trivial simples - filme revelado na loja da esquina, cópias 10 x 15 - ainda oferecem resultados melhores. Isto é: oferecem melhores cópias 10 x 15. Se isso é realmente tudo o que você espera de uma câmera, nem pense numa digital! Afinal, muita gente vive feliz até hoje com máquina de escrever, sem sentir a menor necessidade de computador. É difícil acreditar nisso, mas é assim.
O segredo do estrondoso sucesso das maquininhas é que, ao falar delas, não estamos falando pura e simplesmente de fotografia, mas de imagem - ou seja, de tudo aquilo que se pode fazer a partir da fotografia, até mesmo cópias 10 x 15. Estamos falando da total agilidade do processo, da possibilidade de ver instantaneamente as fotos, modificá-las a gosto, enviá-las por e-mail para meio mundo, expô-las na web, fazer negócios à distância e, lógico, se divertir pra caramba.
Dá-se que há uma feliz convergência de fatores neste momento. À popularidade da Internet junta-se o fato de que o custo da armazenagem de dados - discos rígidos, flash cards, memory sticks, etc. - está cada vez mais baixo, assim como o dos chips e o dos micros em geral, para não falar no das impressoras. Nunca, antes, houve a possibilidade de se imprimir tão bem a custos tão razoáveis. Assim como, graças às novas gerações de softwares gráficos, nunca foi tão simples brincar com imagens. Com tudo isso, o usuário está descobrindo, em casa, um mundo que, ainda ontem, era território de profissionais da pesada.
Até questões como a qualidade do papel, antes resumida à dúvida fosco ou brilhante? passaram a tema de discussões apaixonantes na rede (aliás, uma dica quente: papel fotográfico Ilford para impressoras jato de tinta!). Enfim: mais do que ano do bug, o famigerado Y2K promete ser, desde já, o Grande Ano da Fotografia Digital.
Com a quantidade e a diversidade de máquinas já existentes, torna-se praticamente impossível fazer recomendações. Câmeras excelentes para determinados tipos de atividade podem não ser tão boas para outros, e vice-versa.
O importante, antes de ir às compras, é analisar necessidades e descobrir para quê, exatamente, a máquina será usada. Se cópias em papel são prioritárias, escolha a que lhe der a maior resolução que couber no seu orçamento. Já na Internet, menos exigente, funciona o oposto: quanto maior a resolução, mais lento o download das imagens. Pesquise o mercado, veja o maior número possível de marcas e de modelos, e não tenha medo de fazer perguntas, sobretudo em relação à procedência e à garantia da maquininha dos seus sonhos. Com isso vocês serão felizes para sempre - até que um modelo mais novo os separe.A velha foto em papel, imexível e quase sagrada, está saindo de cena
Agência O GloboAgência O GloboSOLUÇÃO COMPLETAO memory stick (Sony), do tamanho de um chiclete (acima), transfere até 16Mb da câmera para o micro ou o porta-retrato digital. Já a Polaroid PDC, campeã de vendas nos EUA, usa flash cards de 2 a 16Mb





