A falta de ambientes originais
Uma criança em viagem de férias aprecia pouco a paisagem natural das muitas cidades por onde passa. Quando os turistas se afastam dos centros históricos, pouca coisa lembra a eles que estão em uma cidade em particular, e isso tem um resultado negativo. Os turistas só permanecem em um lugar quando sentem que encontram ali um ambiente original. É compreensível que cidades européias ou norte-americanas apresentem jardins mais homogêneos. Nessa regiões, as floras são relativamente homogêneas e é limitado o número de espécies adaptadas às condições climáticas extremas, com invernos rigorosos. A biodiversidade brasileira, em contraste, supera a de qualquer outro país, e há poucas áreas onde a temperatura é realmente limitante.
Uma primeira etapa na ampliação da diversidade paisagística seria a seleção de espécies nativas que crescessem bem em cada região, com a ajuda das universidades e de profissionais locais. Essas espécies teriam prioridade nos projetos de paisagismo dos municípios. Com isso, os turistas reconheceriam pelo menos que estão no Brasil, e não em algum outro país tropical. Considerando que cada área do país tem seu conjunto de espécies básicas, cada prefeitura escolheria aquelas mais características de sua microrregião. Essas diferenças entre as cidades impediriam que a produção de mudas para paisagismo fosse dominada por grandes empresas, o que estimularia pequenos produtores locais. As escolas também poderiam colaborar nessa tarefa, promovendo ao mesmo tempo a educação ambiental.
A escolhas das espécies também deve seguir critérios mais adequados. Espécies frutíferas de grande porte, por exemplo, são apropriadas para parques, mas não para ruas, onde as frutas podem danificar os veículos, nesse caso) são apropriadas para o lado da rua com fios elétricos. Não faz sentido gastar dinheiro público na poda de árvores grandes por causa de fios elétricos e telefônicos, como as prefeituras fazem atualmente. Já em áreas de baixa renda, onde as famílias não têm o costume nem a condição financeira para comprar frutas, o plantio de árvores e arbustos frutíferos nas ruas forneceria um complemento alimentar importante para as crianças.
As prefeituras podem ainda estimular o plantio de espécie nativas floridas, de pequeno porte, nos jardins privados. Isso transfere parte do custo do paisagismo para o setor privado e promove orgulho cívico. Alguma das espécies ornamentais mais belas do mundo são brasileiras e é triste ver jardins cheios de plantas erxóticas, só porque são as mais disponíveis no mercado.

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