A evolução do 4G


Mie Francine ChibaReportagem Local
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A evolução do 4G
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As operadoras de telefonia já estão oferecendo aos seus clientes uma evolução do 4G. A nova tecnologia, chamada por alguns de 4,5G, promete mais velocidade de conexão – até 10 vezes mais que o 4G. Os usuários poderão usufruir da tecnologia gradualmente, conforme as operadoras passarem a ativar o 4G em outras faixas de frequência nas cidades. A explicação para isso está em uma das características do 4,5G, que permite agregar mais de uma frequência para oferecer tráfego de dados ao usuário (carrier aggregation). O resultado é uma "supervia", por onde trafega um volume de dados maior que no 4G.

"O 4G ou LTE foi especificado inicialmente para operação em uma banda de frequência. Muitas pessoas devem lembrar das primeiras redes que entraram em operação antes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Estas redes permitiam no máximo a transmissão de 150 Mbps", lembra Wilson Cardoso, membro do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos). "Nos últimos anos o padrão da tecnologia sofreu melhorias e agora é possível agregar novas bandas (frequências)."

Para entender melhor como funciona o 4,5G, Cardoso compara a tecnologia a uma estrada: "a estrada do 4G tinha uma pista (uma banda) agora a estrada do 4,5 G pode ter até 5 pistas (bandas). Além de mais pistas temos controle que nos permite chegar a velocidades de 1 gigabit por segundo nos smartphones."

Segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco Inteligência em Telecomunicações, o 4,5G pode ser visto como uma fase de transição para o 5G – que permitirá ter ainda mais banda e menor latência na conexão. Esse processo de transição é composto por vários "steps" (passos), com a oferta de novas tecnologias. O uso pelas operadoras de múltiplas antenas para melhorar o sinal e de um sistema de modulação que permite eficiência e velocidade maior de conexão são outras características que podem ser vistas no 4,5G das telecoms.

COMBO
A Claro já anunciou que o 4,5G deverá chegar a Curitiba e outras nove cidades do Brasil até o final do ano. Segundo a operadora, o 4,5G tem velocidades médias de navegação até 10 vezes maiores que no 4G convencional e se caracteriza por três requisitos técnicos: o carrier aggregation (agregação de faixas), o MIMO 4x4 e a Modulação Avançada 256QAM.

Segundo explica Versione Souza, diretor regional Claro no Paraná e Santa Catarina, o carrier aggregation permite agregar até três faixas diferentes de frequência, resultando em uma largura de banda de no mínimo 30 MHz. O MIMO (Multiple Inputs Multiple Outputs – Múltiplas Entradas Múltiplas Saídas) 4x4 possibilita que o enlace de transmissão entre a torre e o smartphone seja feito utilizando 4 antenas de transmissão e 4 de distribuição. Geralmente são utilizadas duas de cada. Já a Modulação Avançada 256QAM é um sistema de modulação que proporciona maior eficiência no espectro ao transmitir um volume maior de dados simultaneamente.

"Seria como ampliar uma estrada com várias faixas de rolagem (carrier agreggation) e ainda ‘turbinar’ o fluxo com veículos mais rápidos e com maior capacidade de carga (com MIMO 4x4 e Modulação 256 QAM). O resultado é um desempenho muito maior no tráfego de informações", explicou Souza. De acordo com ele, após a chegada do 4,5G em Curitiba, a Claro levará a tecnologia para as demais cidades do Paraná "tão logo seja possível".

CARRIER
Para potencializar seu 4G, a Tim emprega a tecnologia do carrier aggregation na sua rede, inclusive em Londrina, utilizando as faixas de frequência de 1.800 MHz e 2.600 MHz. De acordo com Homero Salum, gerente de Engenharia da Tim Brasil, a tecnologia provê "uma experiência única em banda larga móvel para uso de dados e mais velocidade de navegação dos usuários". O gerente de Engenharia afirma que a estratégia da companhia é encerrar 2017 com cerca de 400 cidades com a tecnologia disponível.

A Vivo também agrega duas frequências de 4G em 91 municípios do País e nove do Estado - Curitiba, Colombo, Candói, Francisco Beltrão, Pato Branco, Porto Rico, Santa Isabel do Ivaí e Sarandi. A operadora batizou a tecnologia, que oferece conexão duas vezes mais rápida que o 4G atual, de 4G+. Londrina, segundo a companhia, receberá o 4G+ em 2018. "A empresa já oferecia a conexão na frequência de 2.600MHz, que foi agregada à faixa de 700MHz. Com isso, os clientes da operadora que possuam aparelhos celulares compatíveis podem navegar na internet, baixar vídeos, músicas e subir fotos para as redes sociais com muito mais rapidez", afirmou a Vivo por meio de nota da assessoria de imprensa.

FAIXAS
Segundo Wilson Cardoso, do IEEE, o que permitiu que as operadoras começassem a oferecer o 4,5G agora foi o desligamento de parte do 2G e do 3G para a reutilização de suas frequências no 4G e a combinação delas com a faixa dos 700 MHz, recém liberada em algumas cidades após o desligamento da TV analógica.
Para usufruir dos benefícios das novas tecnologias de internet móvel oferecidas pelas operadoras, basta que o smartphone do usuário esteja apto a operar com essa tecnologia. "Os últimos lançamentos de smartphones, em sua grande maioria, suportam o 4,5G", observa Wilson Cardoso, do IEEE.

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