Diante da pergunta - o que é melhor, um computador mais rápido ou uma conexão instantânea à Internet - muitos se inclinam, cada vez mais, pela segunda opção. A simples idéia que esta seja a opinião geral pode causar um enfarte ao presidente de uma grande fábrica de computadores. Mas os anúncios são claros e estão em todas as partes: a indústria da computação parece estar às vésperas de uma mudança de rumo. Os fabricantes de microprocessadores, as grandes indústrias de computadores pessoais e as fábricas de componentes de hardware já não são vistos como os grandes motores do futuro e da alta tecnologia no mundo. Em seu lugar, vê-se o rápido aparecimento de empresas de conexão à Internet e de firmas que auxiliam indivíduos e empresas a lidar com tudo que se refere a esta rede mundial de computadores.
‘‘A era do computador pessoal chegou ao seu fim’’ disse recentemente o doutor Paul Horn, um reputado pesquisador da IBM, em uma conferência em Nova York, sobre a tecnologia no próximo século. ‘‘Estamos entrando em uma era de informática onipresente, na qual veremos um aumento dramático de equipamentos de desenho específico, portáteis e projetados para o manejo eletrônico dos negócios e para simplificar a vida’’, sustenta.
O ponto de vista deste especialista impressionou o executivo-chefe da IBM, Lou Gerstner, que há muito tempo defende a idéia que ‘‘A era do PC acabou’’. Comentários como este, feitos por altos executivos da IBM, foram desprezados inicialmente pela maioria dos analistas da indústria da informática. Muitos sugeriram que a nova postura da IBM contra o PC não era mais que um agressivo reconhecimento de que as outras empresas do setor estavam melhores em matéria de computador.
Mas há sinais que indicam que Horn e Gerstner sabem do que estão falando. No mundo da tecnologia, o crescimento está sendo impulsionado pela Internet, e não pelos computadores, dizem os especialistas. O usuário quer comunicações rápidas e imediatas.
Ainda que não pareça novidade para quem vem seguindo o desenvolvimento desta indústria nos últimos anos, o fato de que o avanço avassalador da Internet se produza agora às custas dos velhos fabricantes de computadores é uma situação que poucos esperavam. Para os tradicionais fabricantes de computadores, o problema é que muitas empresas, hoje, se esmeram em pôr à disposição do usuário aparelhos prontos para se conectarem à Internet.
Empresas como Free-PC.com (www.free-pc.com) estão oferecendo, já, computadores grátis a quem consiga aguentar o fluxo constante de publicidade enquanto navega pela Internet. A Intersquid.com (www.intersquid.com) é o último dos provedores de serviço de Internet nos Estados Unidos a oferecer um computador grátis a seus clientes que firmarem um contrato de vários anos para ter acesso à Internet.
E no mundo dos negócios há rumores de que a ‘‘America Online’’, o maior provedor comercial de serviços ‘‘online’’ no mundo, está estudando a possibilidade de oferecer a seus usuários uma oferta semelhante. Além disso, firmas novas, fabricantes de computadores, como a Machines (www.emachine.com) da Califórnia, desafiam os grandes fabricantes, como a Compaq, IBM e Dell, ao oferecer, por menos de US$ 400, computadores simplificados ao máximo, mas compatíveis com Internet.
Para os grandes, que estão tentando vender aparelhos de alta tecnologia com caros serviços incorporados, esta tendência equivale simplesmente ao desastre.

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