William Ernest Magnusson e
Albertina Pimental Lima
Ciência Hoje
Grande parte das árvores plantadas nas cidades brasileiras, em parque e ruas, não é nativa, mas importada de outros continentes. Essa estratégia de paisagismo impede que os próprios brasileiros conheçam a riqueza de sua flora e que os turistas identifiquem o local em que estão. Selecionar e utilizar espécies nativas, ornamentais ou frutíferas, poderia trazer uma série de vantagens para as cidades beneficiadas e valorizaria a natureza brasileira aos olhos das futuras gerações.
O mundo moderno permite, em especial através da televisão e do cinema, a apreciação da grande variedade de ambientes e culturas existentes. Entretanto, ao mesmo tempo, a globalização apresenta uma visão cada vez mais padronizada de muitos dos aspectos culturais. A tela do computador é semelhante tanto em Moçambique quanto no Canadá, ou em São Paulo. Duplas de loucutores – um homem e uma mulher – apresentam notícias similares em jornais televisos no mundo inteiro, e os parques e jardins de todas as cidades, em todos os continentes, estão ficando mais e mais homogêneos, com o uso das mesmas espécies.
Isso também ocorre no Brasil, através da introdução, há mais de um século, de espécies exóticas. Parte dessa homogeneização do paisagismo público está ligada à eficiência, mas muito dela decorre da capacidade promocional de algumas empresas e até de comodismo. É difícil ir contra as forças econômicas, mas as autoridades e a sociedade deveriam levar em conta que os jardins podem contribuir, e muito, para a apreciação da diversidade biológica de um país.
No Brasil, hoje, é difícil determinar em que cidade a pessoa está apenas através das árvores existentes em suas ruas. Na região Norte, o turista encontra mangueiras (Mangífera indica, espécie asiática) e palheteiras ( Clitoria fairchildiana) de Belém (PA) a Rio Branco (AC). No Centro-Oeste, a preferência é dada aos flamboyants (Colvillea racemosa e Poinciana regia, espécies africanas) e amendoeiras (Terminalia catappa, espécie asiática). No Sul, podem ser encontrados eucaliptos (espécies do gênero Eucalyptus, originário da Austrália) e figueiras que foram introduzidas (espécies do gênero Ficus, em geral asiáticas). As praias do litoral têm casuarinas (espécies do gênero Casuarina, australianas) e coqueiros (Cocos nucifera, originário provavelmente das ilhas do Pacífico).
Nem todas as espécies vistosas podem resistir às condições urbanas, em especial à poluição. Algumas espécies adequadas para jardins não crescem bem nas ruas, e somente as mais resistentes podem ser plantadas nos centros das grandes cidades. No entanto, é quase impossível prever quais espécies crescerão bem sob cada combinação de condição de solo, luz, drenagem, frequência de vandalismo, e poluição. Somente com experimentação as prefeituras poderão determinar as melhores espécies para cada região dentro de cada cidade. Espécies nativas como quaresmeiras (Tibouchina spp. ), ipês (Tabebuia spp.), oitis-da-praia (Licania tomentosa), palheteiras (Clitoria fairchildiana) e patas-de-vaca (Bauhinia spp.) já são usadas em uma variedade de situações urbanas. No entanto, estas são uma proporção pequena das árvores plantadas e uma seleção muito restrita da flora brasileira.Usar plantas nativas no paisagismo urbano pode trazer benefícios sociais e econômicos, mas isto não é usual no Brasil
Ciência Hoje/ReproduçãoEspécie nativa da Ásia, a amendoeira é muita usada para arborização urbana no Brasil, exemplo de ‘‘importação’’ desnecessáriaReproduçãoNatural da África, o flamboyant (à esquerda) também pode ser visto em ruas e praças das cidades brasileiras. Embora comum no Brasil, a mangueira também não é nativa das Américas e sim da ÁsiaCiência Hoje/ReproduçãoA espécie mais comum nas praias brasileiras é o coqueiro-da-Bahia que, apesar do nome, veio provalmente das ilhas do Pacífico

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