Agência O Globo
Do Rio
Para a grande maioria dos usuários, a conta do telefone fixo é um dos documentos mais críticos da economia doméstica. Todo mundo sabe, naturalmente, o que é um interurbano e o que é uma chamada para uma unidade móvel (o popular celular); mas, na hora de saber o quê, exatamente, significam todos aqueles pulsos registrados - excedentes ou não - e como são calculados pela telefônica, a conversa muda de figura. No máximo a gente confere os números com os da conta passada, e olhe lá.
Para acabar com este mistério recorrente, técnicos da Telemar (holding) explicam como chegam aos valores registrados nas nossas contas de telefone. Afinal, saber o que é um ‘‘pulso faturado’’ e, sobretudo, ter em mente os horários em que menos se faturam os tais pulsos são conhecimentos essenciais para a comunidade internauta. Estamos a um passo da Internet grátis - mas a conta do provedor é só uma parte da equação, pois a ligação local continua valendo. Nisso, aliás, sai ganhando a turma da madrugada: entre 24 horas e 6 horas, de segunda à sexta-feira, só é cobrado um pulso por ligação. Internauta insone é internauta econômico...
O sistema de cobrança de chamadas locais em vigor no Brasil, o Karlsson Acrescido, foi criado na Suécia e vale para todo o País. Este sistema de medição estabelece que seja registrado um pulso a cada quatro minutos de ligação. A exatidão da contagem é assegurada por um relógio digital eletrônico de alta precisão (ou gerador de cadências) instalado em todas as centrais telefônicas. No momento em que a chamada é atendida é registrado um pulso. O segundo pulso pode ser assinalado no segundo seguinte - ou quatro minutos depois. Isso ocorre porque as ligações são feitas aleatoriamente, e não entram todas, ao mesmo tempo, no exato momento em que soado o bip do relógio instalado na central. Mas, de acordo com as estatísticas feitas pelas operadoras, o segundo pulso é registrado, em média, dois minutos depois do estabelecimento da ligação.
No Brasil, cobra-se R$ 18,01 pela assinatura. Nesta taxa, estão incluídos 90 pulsos. Eles perfazem 358 minutos, ou seja, quase seis horas. O usuário passa a pagar excedentes apenas a partir do 91º pulso. Já nos EUA, o usuário de telefonia paga uma taxa fixa em torno de US$ 15 (o valor varia entre as empresas) e não tem limitação de pulso:
‘‘A questão é que o Governo brasileiro montou um sistema de cobrança que favorece quem usa menos o telefone’’, explica João de Deus Macêdo, diretor da Área de Varejo da Telemar (holding). Não há previsão para que se venha a adotar, por enquanto, a cobrança de uma tarifa única, isto é, um sistema que permita um preço fixo pelo uso do telefone local, sem limitações de tempo ou número de chamadas. Mas Macêdo acha que, com a evolução da economia brasileira, esse sistema se torne realidade em todo o País.
O diretor da Telemar explica que 80% do movimento registrado pelas operadoras vem de ligações locais. É em função desse volume que se torna economicamente inviável realizar o sonho de tantos assinantes: receber contas detalhando data, horário e duração de cada chamada local, com respectivo número. Com a tecnologia atualmente em uso, os mainframes das operadoras conseguem gravar apenas a quantidade de pulsos gerada por cada telefone. Nos casos de reclamação, são realizadas entrevistas com os usuários e análises do seu perfil de consumo ao longo dos últimos meses.
A partir do segundo semestre do ano passado, começou a circular na rede uma mensagem que alertava os internautas para o término dos horários com tarifa reduzida para ligações locais. É lógico que houve uma gritaria geral, mas logo as operadoras de telefonia se manifestaram e avisaram que isso não aconteceria.
O Diretor da Área de Varejo da Telemar (holding), João de Deus Macêdo, reafirma que não há como a empresa acabar com os horários de medição simples, quando se cobra apenas um pulso por ligação. Além do intervalos entre 24 horas e 6 horas de segunda à sexta-feira, isso acontece também entre 14 horas de sábado e 6 horas de segunda-feira. Macêdo explica que o contrato das empresas de serviços de telecomunicações estabelecido com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não prevê mudanças nos horários de medição simples.
‘‘Esses horários são estipulados pela Anatel e valem para todo o País. Não há como mudar o sistema de pulsos ou criar uma categoria nova de períodos com cobrança diferenciada para favorecer um grupo de usuários, como os internautas’’, afirma Macêdo.
Quem costuma passar muitas horas navegando pela Internet deve ficar de olho no relógio e aproveitar os horários de medição simples. Até porque a cobrança de somente um pulso por ligação durante a madrugada derruba a tese de que os internautas notívagos são os grandes responsáveis pelo aumento das contas telefônicas.
‘‘O que acaba encarecendo o uso da Internet no Brasil não é a taxa do provedor, mas o custo com telefonia’’, alerta Henrique Faulhaber, dono do ISM.

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