Francelino França
Às portas do novo século, estamos vivenciando importantes discussões políticas em torno da clonagem de animais e seres humanos, como também sobre a possível produção dos alimentos transgênicos. A megaempresa Monsanto está sendo alvo da polêmica, no caso da soja. As respostas ecológicas e evolucionárias dos transgênicos provavelmente ocorrerão quando milhares de acres forem dominados por plantas modificadas, ano após ano.
A grande discussão é de que forma vamos assimilar as novas mudanças e a que custo? Questões éticas fundamentais estão sendo levantadas, pois o comércio genético traz questões controversas. De uma forma ou de outra, todas as realidades individuais e compartilhadas serão modificadas pela nova tecnologia que reinará no próximo século, denominado século da biotecnologia. O nome foi cunhado por Jeremy Rifkin, polêmico e contundente economista americano, autor do livro ‘‘O Século da Biotecnologia’’ (editora Makron Books).
No livro, Rifkin destaca que patentear a vida é um elemento da nova matriz operacional do século biotecnológico. ‘‘O Século da Biotecnologia’’ faz um raio-x sobre os experimentos dos novos reformadores da natureza, que se utilizam da biopirataria, tanto em seres humanos como no meio-ambiente. Ele critica a política geneticamente incorreta das grandes corporações, responsáveis pelas regras do comércio genético, controlando a propriedade intelectual e as patentes sobre a criação dos genes.
Com o recém-descoberto poder de manipular o código genético da vida e o controle das estruturas hereditárias, as possibilidades de riscos são desconhecidas e difusas. Para consolidar a nova sociedade biotecnológica, já existem empresas trabalhando em uma tecnologia revolucionária se utilizando de chips de DNA. Isso permitirá aos médicos a possibilidade de escanear a composição genômica de um indivíduo e de realizar uma leitura detalhada das suas predisposições genéticas. Os chips DNA são compostos de milhares de peças diferentes de DNA, colocadas num chip de silício, com a possibilidade de se obter um mapa rodoviário para a classificação das doenças atuais e potenciais de uma pessoa.
Uma das inovações genéticas mais controversas apresentadas por Jeremy Rifkin é a do britânico Jonathan Slack. O cientista diz ser capaz de produzir clones humanos sem cabeça em úteros artificiais de vidro, para serem usados como peças de reposição durante o tempo de vida dos doadores humanos, cujas células foram clonadas. Jonathan Slack, professor de biologia do desenvolvimento, conseguiu manipular certos genes num embrião de sapo e eliminar o desenvolvimento da cabeça, tronco e cauda do girino. A experiência resultou no nascimento de um sapo vivo, sem cabeça.
Slack pretende geneticamente reprogramar o embrião humano para suprimir o crescimento em todas as partes do corpo, exceto aquelas que irão ser utilizadas, mais o coração e a circulação sanguínea. Se o biólogo apresenta essas idéias à comunidade científica, certamente, já realizou muitos testes, criando diversos Franksteins.
Rifkin relata ainda experiências com transplantes. Nesta área, os cientistas estão convergendo para a produção de clones animais, criando órgãos para transplantes humanos (xenotransplantes). Este está sendo considerado um excelente negócio no século biotecnológico. O valor comercial dos fígados transgênicos de porco pode chegar a 18 mil dólares a peça.
Em Wall Street, coração financeiro de Nova York, estima-se que mais de 450 mil pessoas no mundo todo serão beneficiadas com esses transplantes até o ano de 2010 e o valor de mercado da indústria de novos órgãos provavelmente excederá 6 bilhões de dólares.
Da era dos transplantes os pesquisadores estão à caminho da era de fabricação. ‘‘A idéia é fazer órgãos, mais do que simplesmente transplantá-los’’, afirmam no livro o cirurgião Robert Langer e o engenheiro químico Joseph Vacanti. Anthony Atala, diretor da engenharia de tecido da Escola Médica de Harvard, desenvolveu uma bexiga numa jarra laboratorial. Esse é o primeiro órgão de tecido engenheirado já transplantado num ser humano. O grupo de Atala também está trabalhando no desenvolvimento de rins humanos em laboratório. Os pesquisadores no novo campo prevêem que, por volta do ano 2020, 95% das partes do corpo humano serão substituíveis por órgãos desenvolvidos no laboratório.
Até um novo tipo de plástico biodegradável está sendo inventado, a partir da inserção de um gene fabricante de plástico na planta da mostarda, transformando-a numa verdadeira fábrica de plástico. A Monsanto espera ter uma planta deste tipo no mercado por volta de 2003.
Em ‘‘O Século da Biotecnologia’’, o autor levanta uma enxurrada de questões importantes. ‘‘Desta vez, a natureza é moldada na imagem do computador e na linguagem da física, da química, matemática e das ciências da informação’’, afirma. Ele argumenta que os caminhos da era biotecnológica estão esbarrando no campo ético, moldado a cada nova invenção. Rifkin pulveriza muitas opiniões de cientistas, mas não se coloca contrário às inevitáveis revoluções. Afinal, questiona Jeremy Rifkin, quem se oporia à manipulação de novas plantas e animais para acabar com a fome no mundo? Quem objetaria a construção de novas formas de energia biológica para substituir as reduzidas reservas de combustíveis fósseis? Quem recusaria a cirurgia genética para eliminar doenças incapacitantes?A manipulação genética é assunto de um livro de Jeremy Rifkin, que faz um raio-x dos riscos que envolvem a questão
ReproduçãoO DNA - ácido desoxirribonucléico - é a molécula da hereditariedade e sua manipulação implica em riscos ainda desconhecidosReproduçãoAs respostas ecológicas dos vegetais geneticamente modificados só virão quando houver milhares de acres plantados

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