A aventura está lá fora
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Uma energia misteriosa foi descoberta por uma equipe de cientistas na Europa e ninguém conhece sua origem. Alguns pesquisadores, entretanto, acreditam que esta energia, chamada de Exotic Matter (XM) está influenciando a forma como as pessoas pensam. A descoberta dividiu o mundo em dois grupos: os dos iluminados (enlightened) e o da resistência. Os iluminados querem explorar o potencial que esta energia pode oferecer. Já a resistência luta contra o uso desta energia, e a favor da humanidade. "Devemos controlá-la ou ela nos controlará."
Esta é a premissa de Ingress, jogo para celular que já ultrapassou os 5 milhões de downloads em todo o mundo. Para jogar, é preciso optar por lutar ao lado dos iluminados ou da resistência, tornando-se um agente. Criado pela Niantic Labs, empresa do Google, em 2012, Ingress reúne uma legião de jogadores engajados na causa dos dois grupos, inclusive em Londrina. Alguns aspectos justificam o fato de o jogo ser tão atrativo aos olhos dos gamers: o uso do recurso de Realidade Aumentada (RA) e de localização do celular, e o fato de ser jogado em grupos.
Ingress não fica restrito ao mundo virtual: através da Realidade Aumentada, o jogador precisa percorrer o mundo real para completar as missões do jogo. Os elementos do game estão espalhados por todo lugar, como os portais que são monumentos históricos, edificações de importância histórica, artística ou cultural do mundo real, e o jogador consegue enxergá-los pela tela do celular. O recurso de localização do aparelho é que guia o agente pelas missões na cidade.
Em Londrina, um grupo de cerca de seis pessoas se reúne esporadicamente para discutir estratégias do jogo. A maior parte se conheceu por causa do Ingress. Fidel Pedro é um dos membros da equipe, que joga pela resistência. Cabeleireiro, ele começou a jogar logo que o game foi lançado, em 2012. De acordo com Pedro, a maioria dos jogadores é mais velha e já tem uma profissão.
"O mais interessante é que não é como um jogo que você fica sentado no sofá clicando em joias para passar de fase. Você joga no mundo real. Você tem que ir até os locais para realizar as ações", opina. A auxiliar administrativa Karina Moraes concorda. "Isso de se deslocar, conhecer os lugares é o que mais atrai. Sou de Cornélio Procópio e tem lugares aqui que ainda não conhecia."
Caminhando pela cidade para realizar as ações do jogo, Pedro conta que também conheceu diversos pontos da cidade que não conhecia. "Você acaba sendo obrigado a caminhar por pontos turísticos, igrejas, locais de interesse público."
Para Ricardo Silveira, jogador de Maringá, o Ingress faz o jogador realizar ações que não imaginaria fazer antes. "Torna muito mais simples você acordar às seis da manhã, pegar uma bicicleta e andar 40 quilômetros. Ir a pé para o trabalho para passar por um portal no caminho vira ordem do dia."
A caminhada, no jogo, é importante para visitar os portais para coletar itens e fazer links com outros portais, por exemplo. De acordo com Pedro, Londrina tem cerca de 50 destes portais.
Por misturar a realidade com o virtual, o game acaba "invadindo" a rotina do jogador. "Na avenida Higienópolis, há cinco portais. No percurso para o trabalho, você pode passar nos portais e realizar ações, que são fáceis e rápidas de executar. E mesmo se você estiver parado, se acontece um ataque em um portal onde há acesso remoto, quatro pessoas em conjunto podem agir para conter este ataque, que acontece a todo momento", explica Pedro. Notificações no celular avisam o jogador sobre o que está acontecendo no momento.


