Dois trabalhos brasileiros construídos em ambiente virtual multiusuário – Desertesejo, que explora as possibilidades da realidade virtual com finalidades artísticas, e Imateriais 99, que adota a tecnologia do videogame para explorar questões sobre a relação entre real e virtual – foram apresentados no 8º Simpósio Bienal de Artes e Tecnologias, realizado neste final de semana no Connecticut College, Nova Inglaterra, nos Estados Unidos.
Em maio, outro produto nacional – o percurso educativo Isto é Arte, parte da Enciclopédia Cultural Itaú de Artes Visuais, que em breve estará no ar – irá integrar a mostra internacional de arte digital, organizada pelo Centro de Arte e Design (Mecad), junto com o Imateriais 99. O evento faz parte da Primavera de Design 2001, exposição bienal que acontecerá em Barcelona, Espanha.
Os três projetos foram desenvolvidos pelo programa Rumos Itaú Cultural Novas Mídias. Desertesejo, de autoria de Gilberto Prado, é um site em três dimensões (3D), que explora poeticamente a extensão geográfica de um deserto, desenhando a partir da idéia de paisagens, de fragmentos, lembranças e sonhos. O ambiente virtual interativo, multiusuário, permite a presença simultânea de até 50 participantes. O site foi viabilizado pelo patrocínio da Intel, que o considerou de ‘‘excelência técnica’’ e nele investiu US$ 13 mil.
O internauta começa percorrendo uma caverna e, para ser transportado para outro ambiente, precisa clicar sobre as pedras que caem do teto. Na nova viagem, o usuário vê o mundo por meio do olhar de uma cobra, onça ou águia. Dependendo do caso, percorre o ambiente andando a meia altura, voando ou arrastando-se. Em seguida, portais o levam para novos ambientes multiusuário.
Já Imateriais 99 é um espaço expositivo virtual criado para dar suporte à exposição-instalação do mesmo nome, realizada em 1999 no Itaú Cultural, em São Paulo, como parte do evento Cotidiano/Arte: a Técnica. O espaço pôde ser visitado via internet desde sua inauguração em agosto de 1999 até maio de 2000. Na época, o software foi instalado em 25 máquinas pentium III de 500 MHz ligadas em rede, que permitiam o encontro dos visitantes nesse mundo virtual, construído com tecnologia de ponta em videogames.
Diante do computador, ao digitar uma senha, o visitante ganha um corpo virtual, o avatar, com seu rosto. Assim, caminha pelos ambientes da exposição virtual, podendo encontrar outros avatares e explorar a exposição em grupo. Nesse caminho, enfrenta situações que valorizam os sentidos – visão, audição, olfato, paladar e tato.
Desenvolvido por um grupo de profissionais – entre eles, Marcos Cuzziol e Odair Gaspar, autores do primeiro game 3D brasileiro de ação em primeira pessoa, Incidente em Varginha – esse ambiente possibilitava aos visitantes da exposição uma imersão real e virtual no mundo dos sentidos. Inédito no Brasil, comporta trilha sonora de 25 minutos de música origianl, criada pelo compositor Dino Vicente, que pode ser obtida ou ouvida no formato MP3 pela internet.

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