A América contra Bill Gates
A América
contra
Bill Gates
Está começando a maior batalha jurídica da história da M$. Julgamento será um marco na história da informática
Agência Globo
Agência GloboA hora da verdadeBill Gates terá que sustentar frente à Justiça americana que sua força deve-se apenas à competência com que desenvolve seus produtosContrariando a máxima de Andy Warhol, Bill Gates teve não apenas 15 minutos, mas uma hora inteira de fama planetária - e no horário nobre! - na semana passada. Naquele momento, milhões de pessoas assistiam à largada da mais portentosa ação antitruste jamais registrada nos EUA (ou alhures) contra uma única empresa. São 20 estados americanos, mais o distrito de Columbia, representados pelos seus departamentos de justiça, ao lado do Departamento de Justiça do país, lutando contra uma software house. E o que é que isso tem a ver com você?
Quer uma resposta rápida? Tudo... e nada, ao mesmo tempo. A grande dificuldade é precisamente esta: avaliar o impacto e o tamanho dessa briga. E a dúvida dos usuários que acompanham a novela é saber o que vai acontecer com o Windows 98. Chegará ele às lojas antes do fim do 98 em questão? E com o Explorer incluído? Ou sem ele?
Vale a pena fazer upgrade, a essa altura do campeonato? Sim, o Windows 98 vai chegar ao usuário sem problemas - e com o Internet Explorer embutido. Enquanto o julgamento - marcado para começar dia 8 de setembro - não produzir um veredicto, a Microsoft pode continuar fazendo tudo igualzinho. Sem mudanças urgentes, portanto. E o upgrade do sistema, vale a pena? De resto, é o quadro habitual: de um lado, a M$, com seus 90% do mercado, e do outro, o Governo americano, querendo abrir espaço para outras microsofts, nas palavras da ministra da Justiça americana Janet Reno.
O sentimento geral é o de que a ação poderá custar dinheiro à Microsoft mas não reduzirá seu poder. Uma coisa é certa: quando Bill Gates deu um murro na mesa e encerrou as negociações, sabia direitinho o que vinha pela frente. Ele se recusou a incluir o browser da rival Netscape no Windows 98 - seria como a Coca-Cola distribuindo garrafas de Pepsi - e recusou-se, também, a permitir que a tela de entrada do sistema operacional tivesse propaganda de outras empresas. Por fim, refutou qualquer hipótese de remover o ícone do Exemplo-rer do sistema. Com isso, criou um impasse inédito para a economia da sociedade americana. Afinal, não é por empresas fortes e competitivas que bate o coração da América?
Agora vem o capítulo das provas e dos argumentos. Cabe aos estados provar que Gates agiu de forma monopolista para preservar e ampliar seus 90% de mercado. A ele, cabe sustentar que sua força deve-se apenas à competência com que desenvolve seus produtos. Imprevisível, o julgamento será um marco na história
da informática. Aguardem!





