Com uma câmera de boa qualidade sempre à mão, a maioria dos usuários de smartphones possui bytes e bytes de fotos e vídeos "jogados" em diversos tipos de suporte – dispositivos móveis, computadores, notebooks, HD externos, CDs, DVDs, serviços em nuvem. O grande problema disso está em encontrar "aquela" fotografia ou "aquele" vídeo depois. Como localizá-los em meio a tantos arquivos desorganizados e espalhados em lugares diferentes?
Pensando nisso, a Google acabou de lançar uma ferramenta de armazenamento de fotos em nuvem: o Google Fotos. Segundo Anil Sabharwal, chefe do Google Fotos, em um post do blog da empresa publicado na época do lançamento, "a humanidade inteira já tirou um trilhão de fotos no decorrer de sua história, e irá tirar mais um trilhão só neste ano".
A grande sacada do Google Fotos é o mecanismo de busca. O usuário não precisa criar "tags" (etiquetas) ou álbuns para cada uma de suas fotos ou vídeos, e se fizer uma busca por palavras-chave como "cachorro" na ferramenta, fotos ou vídeos com cachorros irão aparecer nos resultados. A seção de pesquisa da ferramenta também permite fazer buscas por pessoas, lugares e coisas com base nos arquivos que o usuário já tem armazenados no serviço.
Isso descarta a necessidade de passar horas e horas organizando fotos e vídeos em pastas e categorizando-as sistematicamente. O serviço faz o backup dos arquivos de todos os dispositivos do usuário em um só lugar que pode ser acessado pela internet. Em tempo: a gigante de buscas assegura que o espaço para guardar fotos e vídeos (em alta qualidade) é ilimitado e gratuito.

Edição
A edição de fotos com recursos como recortes, ajuste de luz, ajuste de cor, efeitos e filtros pode ser aplicada rapidamente pela mesma ferramenta. Também é possível criar colagens, animações, filmes com trilha sonora a partir dos arquivos que o usuário tem guardados no serviço. Um "assistente" sugere composições que o usuário pode fazer com suas fotos e vídeos. O compartilhamento das fotos e vídeos pode ser feito direto do Google Fotos. A ferramenta está disponível para plataformas web, Android e iOS.

Padrões
Por meio da assessoria de imprensa, a Google explicou que um algoritmo desenvolvido pela área de machine learning (aprendizado de máquina) é o responsável pelo reconhecimento de pessoas, coisas e lugares em fotos. Este algoritmo identifica padrões nas imagens de maneira que seja capaz, inclusive, de reconhecer uma mesma pessoa bebê ou adulta.
O professor do curso de Engenharia da Computação da Unopar, Rafael Bressan, explica que as imagens são feitas de pixels, pequenos pontos agrupados em matrizes de três dimensões. A técnica de reconhecimento de imagens analisa estes pixels e seus vizinhos para identificar padrões e dizer se aquilo se parece com algo que o usuário procura. "Isso é muito usado no trânsito para identificar placas de carros", exemplifica Bressan. "É uma técnica que funciona como um 'tiro de sal' na imagem, escolhendo pontos aleatórios e analisando seus vizinhos para saber se é o que estou procurando."

Nuvem
A nuvem, na visão de Bressan, é a melhor maneira de guardar fotografias e outros tipos de dados. "É mais seguro do que em casa", diz. "Uma casa pode pegar fogo, os equipamentos podem sofrer uma descarga elétrica." Por outro lado, as empresas que oferecem serviços em nuvem investem milhões em segurança para que os dados de seus clientes se mantenham seguros. Sem contar que os meios físicos estão sujeitos a pararem de funcionar e a se tornarem obsoletos com facilidade. Além disso, a nuvem mantém os arquivos em um só lugar. "Se você bateu fotos na praia, quando você chega em casa elas já estão todas no seu disco virtual. A vantagem é a mobilidade." O maior risco da nuvem está no mau uso da senha. Por isso, o professor recomenda sempre criar senhas fortes e usar os recursos de verificação em duas etapas – quando o serviço envia um código ao celular do usuário para confirmar sua identidade, por exemplo.

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