30 anos de hadouken
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quarta-feira, 13 de junho de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Nas casas de fliperamas ou nas locadoras. Não importa. Quem curte videogames desde a década de 1990 frequentou algum desses dois lugares e, sem dúvida, jogou um dos maiores clássicos de luta de todos os tempos: Street Fighter II. Se a primeiro game da série, de 1987, passou quase despercebido, quando a Capcom lançou a segunda edição nos arcades, em 1991 e, posteriormente, no Super Nintendo e Mega Drive, Street Fighter atingiu o status de ícone da cultura pop de uma geração.
Uma febre tomou conta de quem era apaixonado por videogames. Todos só queriam colocar as mãos nesse título. Quem possuía consoles de mesa tinha que reservar o jogo com muita antecedência para a locação. Em alguns estabelecimento de Londrina, naquela época, nem era possível levar a fita para casa, apenas jogar no local.
De lá para cá já se passaram 30 anos do lançamento da franquia que praticamente influenciou todos os jogos de luta que vieram posteriormente. Simplesmente três décadas com os players soltando "hadoukens" e "shoryukens" sem parar!
Para celebrar a data, a Capcom lançou um game coletânea - Street Fighter 30th Anniversary Collection - que traz numa mesma mídia 12 jogos que foram lançados nos arcades (e claro, consoles) ao longo dos anos, além de histórias, curiosidades, concept arts, e muitos outros conteúdos nostálgicos para os apaixonados pela série. A reportagem da FOLHA conversou com fãs do mundo de Street Fighter e faz uma pequena análise do novo game (leia nesta página).

'REVOLUCIONÁRIO'
Sócio-proprietário da loja Board Game In Box, Jorge Anelli, 36 anos, teve seu primeiro contato com o game em 1994, justamente com Street Fighter II, versão do Super Nintendo, e nunca mais parou de jogar. "Minha primeira lembrança foi de ser algo revolucionário, com gráficos fantásticos, cenário com animação própria e jogabilidade com seis botões, com socos e chutes com forças diferentes". Para ele, o que primeiramente atraiu essa infinidade de fãs foi justamente o impacto visual do game. "Mas o que manteve todos jogando por gerações foi a jogabilidade, com uma gama imensa de estratégias e o domínio de cada personagem... Por isso se tornou um jogo referência para tantos outros que vieram posteriormente."
Para Anelli, os jogos que são as "joias da coroa" ao longo desses 30 anos são o Street Fighter II (e todas as suas edições), as versões Alfa e Street Fighter IV, já na "era" do eSports. Para ele, a Capcom pecou mais recentemente com o lançamento do volume V, por ter soltado o game "a conta-gotas", mas acertou na coletânea de 30 anos. "Gosto dessas edições especiais, que trazem todos os jogos otimizados para os consoles atuais num mesmo título. Sempre que adquiro essas coletâneas com material extra nunca me arrependo. Vale a pena por se tratar de um item colecionável e cheio de materiais extras."
SEMPRE ZANGIEF!
O supervisor de informática, Fábio Ruzycki, 41, tinha apenas dez anos de idade quando viu um monte de gente ao redor de um fliperama do primeiro Street Fighter. Para ele, a revolução iniciou já no primeiro título da franquia. "Já joguei a primeira versão no arcade e o diferencial do jogo era a necessidade de executar um comando para sair os golpes especiais."
De lá para cá, Ruzycki se tornou um aficionado pela franquia, promove campeonatos, participa de eventos, faz lives na Twitch e faz parte da cena nacional do game. "No Street Fighter II conheci o personagem Zangief, o golpe do pilão, e até hoje só jogo com ele. Vejo o esforço da Capcom em que o game faça parte do eSports, desde o IV e agora com o jogo V."
Para ele, a coletânea de 30 anos do game lançada agora é indispensável. "Eu que acompanhei a evolução do game preciso ter na prateleira, é uma coleção única, que faz parte da vida da gente, e que precisa ser apreciado."
LIVRO 100% BRASILEIRO CHEGA EM AGOSTO
Junto com toda o amor e nostalgia que a franquia Street Fighter traz aos jogadores, não param de aparecer homenagens muito bacanas e produtos indispensáveis para colecionadores adquirirem. A editora WarpZone, por exemplo, em parceria inédita com a Capcom, vai lançar em agosto o livro WarpZone Essencial: Street Fighter, publicação de luxo homenageando a maior franquia de jogos de luta de todos os tempos.
O livro conta com o total de 360 páginas repletas de informações sobre a Capcom e Street Fighter - incluindo a Romstar, sua representante no Brasil durante os anos 90 - com ilustrações, lista de todos os jogos, história de cada personagem, entrevistas com ex-funcionários da Capcom no Brasil, mais de 200 fotos de época entre eventos e campeonatos e mais uma infinidade de conteúdos inéditos e 100% produzido no País.
O livro conta com capa dura e terá duas versões, uma de luxo padrão (R$ 169) e outra edição de colecionador (R$ 199), que conta com uma luva em cartonado rígido com design inspirado na clássica placa CPS-2 de Super Street Fighter II Turbo. Já no canal Capcom Unity Brasil, no YouTube, a empresa está soltando uma série indispensável em homenagem aos 30 anos da franquia fazendo uma retrospectiva e mostrando as novidades e construções artísticas de cada game.
'CEREJA DO BOLO'
A reportagem da FOLHA, em parceria com o canal Rockmen Channel, do gamer Ícaro Rocha, fez a jogatina de Street Fighter 30th Anniversary Collection e aprovou o novo jogo. Muitos jogadores ficam com o pé atrás quando as publishers lançam esse tipo de coletânea comemorativa, que muitas vezes não trazem novidades e se tornam apenas "caça-níquel" para fãs. Não foi o que aconteceu.
Rocha explica que os modos on-line do jogo prova que a Capcom investiu de verdade no game. Dos 12 games disponíveis na coletânea, quatro podem ser jogados on-line: Street Fighter II' Hyper Fighting, Street Fighter II Turbo, Street Fighter Alpha 3 e Street Fighter III 3rd Strike. "O mais bacana é que no modo arcade, você vai fazendo a campanha normalmente e um jogador on-line pode entrar para um duelo a qualquer momento, como acontecia nos fliperamas. E você pode escolher a frequência que essas batalhas vão surgindo."
Outro ponto que Rocha elogia bastante é a história dos lançamentos, contando os detalhes de cada game. "A único game que senti falta foi o Pocket Fighter, do PS1. No restante, acho que a Capcom fez um bom trabalho", completa ele, que é fã dos games Alpha 2, Alpha 3 e Street Fighter II Turbo.


