Agência O Globo
Do Rio de Janeiro
A Terceira Guerra Mundial já começou e está sendo travada dentro da Internet. Trata-se do Campeonato Mundial de Diplomacia (Diplomacy) por e-mail. São 553 jogadores dos quatro cantos do planeta disputando a vitória num dos jogos de estratégia mais traiçoeiros já inventados. Três equipes brasileiras participam do torneio, com jogadores de Rio, São Paulo, Campinas, Niterói, Brasília e Porto Alegre.
O Diplomacia é um jogo criado nos EUA nos anos 50, que chegou a ser lançado aqui pela Grow na década de 70 (hoje está fora de catálogo no Brasil). Seu tabuleiro estiliza um mapa da Europa no começo do século, com sete países participantes (Alemanha, França, Império Austro-Húngaro, Inglaterra, Itália, Rússia e Turquia). Cada um, com suas armadas e exércitos, deve batalhar para conquistar a vitória ocupando o maior número possível de territórios válidos (os chamados Centros de Abastecimento, designados por pontos no tabuleiro), que multiplicarão o número de tropas disponíveis.
Parece simples? Mas não há qualquer sorte envolvida no jogo: para alcançar a supremacia, os jogadores, antes de dar suas ordens por escrito, devem costurar e/ou romper acordos, divulgar rumores, espionar, lançar manifestos, e, eventualmente, dar uma boa ‘‘punhalada’’ nas costas do vizinho... Misericórdia é uma palavra inexistente nos dicionários desta guerra.
O jogo virou verdadeira mania na Internet, onde há inúmeros sites com artigos, dicas e listas de discussão sobre ele. As partidas são jogadas através de e-mail ou de softwares conhecidos como ‘‘judges’’ (juízes), que rodam as ordens recebidas em servidores, a maioria nos EUA e na Europa.
A parte psicológica do Diplomacia é, como bem se pode imaginar, o seu grande charme. Se jogando em volta de uma mesa você não pode pôr a mão no fogo por ninguém (a regra explicita o risco, dizendo textualmente que ‘‘decidir em quem confiar é parte do jogo’’), imagine fazer acordos e alianças via e-mail com ‘‘governantes’’ que você nunca viu na vida!
O resultado é uma verdadeira torre de babel e os jogos têm lances imprevisíveis, como no melhor futebol. Um país em queda pode, em algumas rodadas, virar o seu destino, se o jogador tiver jogo de cintura e souber manipular psicologicamente seus adversários. Em suma, de um Moreira da Silva.
Os jogos duram meses, e por vezes anos. O mapa original já ganhou ‘‘n’’ variantes, com mapas-múndi em que cabem mais de 30 participantes, uma versão renascentista (apropriadamente batizada de Maquiavel), e até o Royale, em que casamentos e títulos de nobreza de dinastias fictícias embaralham ainda mais o meio de campo.

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