A biotecnologia deve ser empregada em 31,8 milhões de hectares na safra brasileira 2011/12, o valor representa um incremento de 20,9% em relação à área cultivada com variedades transgênicas na safra 2010/11. Os dados são do levantamento da Céleres e apontam que 85,3% das lavouras de soja do País utilizam cultivares geneticamente modificadas, o equivalente a 21,4 milhões de hectares, um aumento de 16,7% em comparação à safra anterior.
Em termos de área, o Paraná é o terceiro estado em plantio de soja geneticamente modificada, atrás apenas do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso, totalizando 4,06 milhões de hectares na atual safra. A área representa 88,6% do total plantado com a oleaginosa no Estado. De acordo com o analista de biotecnologia da Céleres, Jorge Attie, o uso de soja transgênica é uma tendência que cresce a cada ano, desde a liberação do uso do material, na safra 2003/04. ''Os produtores alegam que a soja transgênica dá maior tranquilidade'', revela. Segundo ele, o levantamento é feito com base em pesquisa realizada com profissionais da área, revendas de insumos, profissionais da pesquisa, cooperativas e produtores.
Já no caso do milho, o crescimento é ainda mais significativo, atingindo 67,3% da área plantada no País, ou 9,91 milhões de hectares somando-se a primeira e a segunda safra. Em comparação à safra 2010/11, a utilização de biotecnologia avançou 32%. Somente no verão, a estimativa é de que sejam cultivados 4,93 milhões de hectares com híbridos transgênicos, um aumento de 45,4% ou 1,54 milhão de hectares em relação ao ano anterior. Já o milho safrinha geneticamente modificado deve ocupar 4,98 milhões de hectares na safra 2011/12, o que representa um acréscimo de 20,9% em comparação a 2010/11, totalizando 82,9% da área semeada no País.
A região Sul registra a maior concentração de milho transgênico na safra de verão, com 2,2 milhões de hectares, que representam 43,9% do total cultivado no Brasil com materiais geneticamente modificados. No Paraná, o milho transgênico ocupa 76,8% das lavouras, o equivalente a 753 mil hectares na primeira safra. Em área, o Estado perde apenas para o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No caso do milho safrinha, 87,5% das lavouras paranaenses devem ser cultivadas com híbridos transgênicos, somando 1,53 milhão de hectares. O Estado perde apenas para o Mato Grosso em termos de área com emprego de biotecnologia.
Attie explica que o crescimento do uso de transgênicos nas lavouras de milho é mais visível. Segundo ele, em quatro anos, o milho já atingiu quase os mesmos patamares da soja em relação ao uso de biotecnologia. ''Os produtores estão muito satisfeitos, principalmente pelo aumento de produtividade obtido com a resistência à lagarta-do-cartucho, principal praga que ataca o milho'', analisa. O analista argumenta que os híbridos geneticamente modificados possibilitaram aumento de produtividade, economia de custo e facilidade de manejo aos agricultores, graças à redução na aplicação de defensivos.
A expectativa, segundo Attie, é de que a adoção de biotecnologia continue crescendo nas próximas safras, tanto no milho quanto na soja. Mas o analista da Céleres lembra que no caso do milho, existe a exigência de manutenção de área de refúgio e, portanto, a área ocupada com transgênicos não poderá ultrapassar 90% do total cultivado.

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