LUIZ GERALDO MAZZA
Paraná irritado
Como o resto do Brasil (e a sondagem Ibope-CNI o comprovou), o Paraná está irritado com os governos federal e estadual, no primeiro a bronca é de metro já que 88% o reprovam e no segundo 72,8% o rejeitam, conforme análise Fiep-Paraná Pesquisas. E isso se deu quando estava aberta a rota triunfalista enunciada na reação fiscal com um superavit de R$ 1,36 bi ao longo dos oito meses que na realidade é o equivalente a uma folha mensal do pessoal. Água fria na fervura e reflexões metafísicas e ontológicas aos cuidados daqueles caríssimos (e como são caros, apesar da recessão) gerentes da crise, pois afinal as pesquisas sempre favoreceram Beto Richa e agora, antes até do massacre, indicavam um desempenho de maracujá de gaveta.
Anteriormente, já não dava para comparar índices de Dilma com os de Beto como de resto o Gustavo Fruet, ainda que mal como é evidente, estava num patamar um pouco melhorzinho do que os dois.
Do lado da presidente, no Paraná apenas 9,3% a aprovam e Beto Richa leva uma pontuação melhor, expressiva até, de 24,5%. Assim mesmo, o levantamento mostrou que para 67,3% o governo paranaense tem um desempenho pior do que o esperado; 27,1% entendem que a gestão está indo como se esperava e somente 4,7% afirmam que está melhor do que o esperado. É, inegavelmente, uma reação para melhor e que tende a crescer à medida que os fatos se assentem, o que dificilmente se dará com Dilma ainda que remova o impeachment e mantenha seus vetos.
A analogia é um consolo para os aliados do governo estadual, posto que devam levar em conta que a vitória eleitoral do tucano foi uma das maiores da história política do Paraná e do Brasil.
Com a atual ofensiva marqueteira, do tipo ''Paraná segue em frente'', vai ser preciso enfrentar o ceticismo reinante como o expresso nas respostas dos 2.515 eleitores de 88 municípios: 60,9% disseram se preocupar com a possibilidade de ficar sem trabalho, perder o emprego, ter que fechar seu negócio ou perder sua fonte de renda nos próximos 12 meses. Quanto à comparação com outras unidades federativas 32,1% afirmaram que a nossa é melhor e já para 66% é igual ou até pior a de outras províncias.
Outra vara
Para desafogar o grande número de processos da Lava Jato que tramitam na 13ª Vara da Justiça Federal, houve um desdobramento da 23ª Vara antes limitada a temas fiscais agora com atribuições criminais e entregue ao juiz Nivaldo Brunoni. O STF manteve a condenação de Cerveró, todavia o TRF da 4ª Região beneficiou a filha de Pedro Correa, Aline Correa.
Balanço
Segundo o secretário da Fazenda, tivemos ao longo do exercício um aumento de 18,06% na arrecadação (entram aí efeitos do pacote), mas a queda da despesa foi de apenas 1,01%. Uma bariátrica urgente no Leviatã seria o mínimo exigível, mas a cabeça dos nossos políticos é impermeável a qualquer sinal de lucidez antipopulista e aí, convenhamos, entra também a oposição.
Para nossos políticos, cultores do Estado provedor, qualquer sinal mínimo de austeridade é reacionarismo, jogada da ultradireita e do neoliberalimo. No Brasil a coisa mais socializada é a burrice que chega a comover.
Eleição escolar
A questão da universalidade do voto é o ponto máximo de conflito entre a APP-Sindicato e a maioria parlamentar no embate que se dará a partir da próxima semana. Como já foram feitos alguns acordos entre as partes vai depender da intransigência do governo que insiste no peso eleitoral da comunidade, isso é dos pais, enquanto os professores querem pesos diferenciados, curiosamente o que era reacionário no passado quando o general Ignácio Veríssimo achava que o voto de uma lavadeira não poderia ter o mesmo valor do que o de um oficial general ou de um profissional liberal.
Folclore
Semana que vem a oposição faz pedidos de informação sobre a situação fiscal do Estado mostrada anteontem e alega que tudo tem um jeitinho de matemágica.





