A cloaca vazou
Se vivemos num tempo em que ex-presidentes são presos como a da Coreia do Sul e o do Brasil e em que o terceiro da hierarquia do Vaticano é processado por pedofilia, por que haveria a tolerância com os ex-governadores como o nosso e o do Rio de Janeiro? É um mau momento para a atividade política pela evidência de que ela inexiste sem propina, seu oxigênio e nutriente.

Como já se esperava, a delação de Maurício Fanini veio como um tsunami no governo Beto Richa e entorno de familiares e correligionários. A técnica da defesa é a mesma de sempre - a de que as delações não são respaldadas por provas, o que não impediu que figurões como Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Antonio Palocci e Lula fossem pra cadeia.

Como somos um dos países mais cínicos do mundo, essa equalização face à corrupção criaria uma espécie de ressalva, a de que há uma espécie de isonomia, a da praxe, a absolvê-los antecipadamente e quando Romero Jucá deu o brado de que era preciso estancar a sangria lançou a bandeira de que democracia não existe se a atividade política for criminalizada, como estaria ocorrendo. Até agora, apesar das queixas e da choradeira em torno do princípio da presunção de inocência, como se fosse possível imaginá-la na relação governo-empreiteiro, governo-prestador de serviços, a radiografia da política está expressa, por tudo o que se viu e que se vê, na magna cloaca vazando.

Apesar do peso do libelo acusatório, com mais de meia hora de telejornalismo da RPC, tudo isso pode ficar sob risco, já que se trata de uma proposta para delação, ainda não acolhida e, muito menos, homologada. Ficaria apenas como um vazamento, a cloaca vertendo tudo e jogando no ventilador, tsunami bostal que pode, por precipitação, "melar" e anular-se.

E virão outras
Nossa campanha eleitoral promete ser divertida: Richa faz desafio a Requião para ver quem governou melhor num placar até aqui de três a dois em favor do curitibano com mais marola todavia menos registro de desvios. Requião teria um cardápio bem ao seu estilo em cima do histórico nebuloso do rival. Mas as coisas não acabaram no Fanini, pois em breve teremos a delação do Nelson Leal Filho, ex-diretor do DER, no caso dos chunchos com pedagiadas e os desdobramentos dos inquéritos no STJ, especialmente o relativo àquela tenebrosa relação com a Odebrecht que custou internamente a demissão de Deonilson Roldo num posto mandarim da Copel, ação direta da governadora Cida Borghetti, que prometeu uma luta aberta contra a corrupção e está com um temário enorme à sua frente, embora dois richistas diplomaticamente tenham deixado o governo.

Mercado externo
Uma operação da Receita Federal foi ontem desencadeada contra nada menos de 39 empresas de fachada que, conforme cruzamento de dados fiscais, operariam no exterior com lavagem de dinheiro e como "laranjas". Uma outra atividade clandestina e rotineira estaria na ação de doleiros que sofreram carga da Lava Jato do Rio de Janeiro e vários deles foram beneficiados por habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes. Gilmar até aqui, de qualquer forma, é que dá sentido contraditório ao fluxo judicial e foi criticado abertamente pelo juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, algo bem do Brasil atual, um magistrado de primeiro grau criticando um da instância superior.

Acumulação
O hábito psicopatológico da acumulação criou no bairro do Ahu,e m Curitiba, uma reserva assustadora que rendeu a retirada de sete toneladas de lixo por parte da prefeitura num depósito em que havia seis carros, um dele com alerta de roubo de 1999.

Subiu
Dos momentos do início da greve caminhoneira até o início da semana, segundo a ANP, Agência Nacional do Petróleo, a gasolina em Curitiba subiu 8%, e o etanol, 5%.

Falsidade
A vereadora de Foz do Iguaçu Nanci Rafaim Andreola, que sofre processo ético por ter se valido de atestado médico para justificar ausência e ser vista festando no Rock in Rio, agora tem um novo problema: o doutor afirmou que o documento é falso.

Depoimento
Lula deu um depoimento ontem por videoconferência ao juiz Marcelo Bretas como testemunha do ex-governador, também preso, Sergio CabraL. Trata-se da acusação de que houve compra de votos para que a Olimpíada saísse no Brasil. Também Pelé foi testemunha do presidente do Comitê Olímpico, Nuzman. Um momento de descontração quando o juiz Marcelo afirmou que vestiu a camisa de Lula num comício quando tinha 18 anos. Lula disse esperar que na campanha ele volte a usar a camisa. Com humor e em plena campanha.

Folclore
Uma das peladas famosas de Curitiba era a da chácara do Burghel, em Campo Comprido. O líder da pelada era Arthur Teófilo de Castro. Num dia ele chutou forte uma bola contra um pinheiro e a bolada pegou suas partes baixas. Arthur deu um grito dramático: "minha glande", e espantou o fato de que poucos sabiam do que se tratava. Depois ainda fez gracinha: "em vez de bola devíamos jogar com um dicionário".

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