Imagens do sono e da morte
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terça-feira, 07 de junho de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A exposição "Tréfonds" do repórter fotográfico da Folha de Londrina, Saulo Ohara, acaba de ser inaugurada no Museu do Papel da cidade de Ino-cho, Kochi, no Japão, cujas obras seguem disponíveis para conhecimento do público até o dia 19 de junho. A exposição é composta por uma série de 16 fotografias entre retratos coloridos e paisagens preto e branco, do período em que Ohara estudou na Suíça, na Escola Superior de Artes Aplicadas, entre os anos de 2008 e 2010. "Nesse trabalho discorro sobre o sono e a sua ligação com a morte", sintetiza. O trabalho já foi exposto anteriormente na Suíça e, também, Londrina. A exposição integra um projeto maior que engloba outros eventos em torno da migração de pessoas de Kochi para outros países, chamado de Kochi Spirit.
Fazem parte da exposição de Ohara, ainda, imagens produzidas recentemente durante sua viagem ao Japão, para acompanhar a abertura, em abril, da exposição de seu avô, Haruo Ohara, que passará por três cidades japonesas até dezembro deste ano. Tudo começou por Kochi, cidade onde o jovem imigrante nasceu e viveu até os 17 anos. A exposição "Haruo Ohara: fotografias" reúne cerca de 400 obras expostas, dentre 180 fotografias e 220 imagens eletrônicas, além de um conjunto com 39 objetos pessoais, documentos, ferramentas e álbuns de família. Todo acervo foi doado pela família em 2008 ao Instituto Moreira Sales (IMS).
Intitulada "Aurora do Reencontro", a série é resultado, portanto, de sua estadia no pequeno vilarejo chamado Yananose Ishimi, que faz parte de Ino-cho, região na qual a família de seu avô é originária, e, também, sua terra natal. "Foi a primeira vez que conheci a região e a minha origem do lado da família Ohara. Posso dizer que foi uma forma de descoberta do lugar e de mim mesmo. Ao mesmo tempo, um sentimento de retorno. Os seres humanos e suas histórias que se ocultam por detrás dos imigrantes, tão próximos como Ditians e Batians, são a interrogação a ser confrontada. Compreendê-los é conceber-me."
Esse ensaio, conforme ele, é formado por 13 imagens de paisagens em preto e branco, somadas a mais outras cinco imagens oriundas do mesmo lugar, mas que foram impressas através de uma técnica chamada Platinum Print, no qual o suporte utilizado foi o papel artesanal produzido em Ino-cho. O processo é totalmente analógico, próximo ao laboratório preto e branco tradicional. "Esses prints são resultado de um workshop de Platinum Print que o Museu do Papel me ofereceu com um fotógrafo americano que mora em Kochi, o David Grant", pontua.
Além das obras, a exposição conta a exibição do vídeo "Résolution", produzido por ele com imagens de seu avô Haruo Ohara. "Esse vídeo é um tríptico em que trabalho com três vídeos diferentes, mas que são apresentados ao mesmo tempo. São imagens de meu avô Haruo Ohara, da minha avô Tei Muramoto e paisagens. Tento transmitir sentimentos sobre memória, as gerações, ausência, presença, doença, fé, espiritualidade", pontua o fotógrafo. As imagens recebem como pano de fundo uma trilha original e inédita, composta especialmente pelos músicos londrinenses Mateus Gonsales e o Marcello Casagrande, do projeto Duo Clavis, que mescla o som da marimba e do piano.


