São Paulo - Com o objetivo de se firmar entre os dez melhores duetos na Olimpíada de Londres, a dupla brasileira do nado sincronizado, Lara Teixeira e Nayara Figueira, passou dez dias no mundo ideal - ainda que o cenário fosse branco, com a neve inclemente, e a temperatura passasse dos 20 graus negativos. Foi em um centro de treinamento modelo, perto de Moscou, que as atletas puderam ver o nível de excelência da Rússia tricampeã olímpica.
O convite partiu da equipe russa, algo inédito, e foi restrito ao dueto do Brasil. A viagem só terminou pouco antes do Carnaval. Lara e Nayara, acompanhadas da técnica Andrea Curi e da diretora Monica Rosas, foram ciceroneadas por Tatiana Pokrovskaya, técnica da Rússia que já treinou o Brasil algumas vezes.
''Há dez anos as russas vêm para o Brasil e treinam no verão. Quando estão aqui, são muito bem tratadas. Então queriam retribuir'', disse Andrea. ''O convite surgiu no ano passado, quando a Tatiana veio para uma clínica. No meio do treino, ela já tinha falado: 'Vocês são boas, estou aqui só para acrescentar'. Nessa empolgação dos elogios, ela disse que queria a gente lá na Rússia dessa vez'', recordou Lara.
O mais marcante foi conhecer a estrutura de que o time russo usufrui. Lara e Nayara foram recebidas em um CT novo, chamado Lake Krugloye, que abriga também as equipes de natação, saltos ornamentais, ginástica artística e esgrima. No mesmo lugar estão os equipamentos esportivos e as acomodações, onde vivem os atletas.
A instalação faz parte do planejamento de 10 anos do país para o esporte - a Rússia receberá a Universíade em 2013, a Olimpíada de Inverno em 2014 e a Copa do Mundo em 2018. Segundo dados do governo russo, serão investidos 2 bilhões de euros (R$ 4,6 bilhões) apenas em infraestrutura. ''Ficamos maravilhadas. Os quartos parecem de hotel e, em dois minutos de caminhada, estávamos na piscina. A comida também é toda certinha'', disse Nayara. ''As russas abriram esse centro para a gente e pudemos ver o que elas fazem para ser campeãs'', explicou Lara.
O que elas fazem, ficou claro, é trabalhar muito. Os treinos começavam às 8 horas e só terminavam às 22 horas. E não só na água. Na programação, estão trabalhos para flexibilidade, força e até aulas de dança. ''Elas nunca ficaram em um período de concentração como esse'', disse Andrea. ''A piscina é só para o nado, com medidas oficiais, temperatura do jeito que você quiser. É o que tem de melhor''.
Rumo a Londres
O período na Rússia serviu para incrementar o trabalho das brasileiras, que buscam a segunda participação nos Jogos - na estreia, em Pequim/2008, a dupla ficou em 13.º lugar, a uma posição da final, após oito meses de parceria. A vaga para Londres será definida no evento-teste a ser realizado na própria capital inglesa, entre 18 e 22 de abril. Os 19 melhores duetos vão para a Olimpíada.
Lara e Nayara não devem ter problemas para conseguir a vaga. A dupla tem oscilado entre o 10.º e o 12.º lugares. Acreditam que o ''top ten'' é possível - e essa seria a melhor posição olímpica do Brasil na modalidade. ''A gente amadureceu muito como atleta, como dueto. Sabemos nossa identidade, conseguimos mostrar lá fora quem somos e o que queremos alcançar'', afirmou Lara. ''Agora temos um objetivo mais certo. A participação em Pequim foi meio no susto''.

mockup