São Paulo - A Flip, que começou ontem, é um dos eventos mais aguardados pelos paratienses, por causa dos lucros que costuma trazer ao comércio e turismo locais. E essa ajuda virá em boa hora. A exemplo de todo o país, a cidade vem sofrendo com a crise econômica: restaurantes, pousadas e lojas viram seu faturamento cair entre 20% e 30% em 2015. No primeiro trimestre do ano, a prefeitura recebeu cerca de R$ 10 milhões a menos de royalties do petróleo, comparado ao mesmo período do ano passado. Uma queda de cerca de 40%. Segundo o Secretário de Turismo de Paraty, Wladimir Santander, isso resultou em cortes de 30% em projetos de cultura e turismo. Ele considera a realização da Flip uma vitória: "Num ano tão difícil, em que outros eventos literários importantes foram cancelados, como o de Passo Fundo (RS), por exemplo, ter a Flip é essencial para nós".
O problema é que a crise também atingiu a Flip, e o faturamento do comércio local não deverá chegar perto do número de anos anteriores. Sebastian Buffa, dono da Paraty Tours, a maior operadora de turismo da cidade, estima que a taxa de ocupação de hotéis e pousadas este ano deverá ser de 70%, contra 90% no ano passado. O número de contratações de moradores locais para a equipe da Flip também diminuiu, de 373 em 2014 para 330 em 2015. As obras de montagem de tendas e infraestrutura foram mais rápidas, o que prejudicou restaurantes locais que atendiam às equipes.
Genesi Lopes dos Santos, calcula que seu faturamento caiu 30% em 2015: "Ano passado já foi ruim por causa da Copa, quando Paraty ficou às moscas, mas este ano está ainda pior".
A 13ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) segue até domingo. O homenageado desse ano é o poeta modernista Mário de Andrade. O orçamento da Flip em 2015, de R$ 7,4 milhões, é o menor da última década.

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