Rio - A intenção do setor de serviços de demitir trabalhadores aumentou mais uma vez, diante do pessimismo maior do que no auge da crise internacional, entre 2008 e 2009. Apenas em março, a confiança da atividade recuou 12,1% em relação a fevereiro, ao menor nível da série iniciada em junho de 2008, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O desempenho da economia é o principal peso negativo, apontam os empresários.
A intensa deterioração sinaliza uma queda no PIB de serviços no primeiro trimestre, com chances de a atividade ficar no vermelho em todo o ano de 2015, avaliou o economista Silvio Sales, consultor da FGV responsável pela pesquisa. "Consideramos que dificilmente se escapa de uma queda no primeiro trimestre", afirmou. "Em 2015, nada garante que os serviços não venham no negativo."
O tombo na confiança em março deu continuidade às quedas observadas em janeiro e fevereiro. Como saldo, a confiança caiu 9,1% no trimestre ante os últimos três meses de 2014.
No mês passado, a intensificação da piora é explicada pelas manifestações anti e pró-governo e pela paralisação dos caminhoneiros. Esses fatores se somaram aos efeitos da desaceleração da indústria sobre os serviços profissionais e do desaquecimento da demanda das famílias. "A dimensão dessa queda e o espalhamento são sinais claros de que houve piora na percepção do setor sobre o andamento dos negócios", disse Sales. A queda mais aguda foi na avaliação sobre o momento atual, que piorou 14,1%.
Um quesito especial desta edição da sondagem mostra que três a cada quatro empresários citaram o desempenho geral da economia como uma influência negativa aos negócios (76,7%). Na sequência, aparece o ambiente político (48,5%). Esses problemas superaram questões relacionadas ao abastecimento de energia (9,3%) e de água (6,7%).
Além disso, as expectativas não sinalizam recuperação à frente. O índice futuro recuou 10,7% apenas em março. "Essa queda não deixa sinal de que haverá recuperação. Pode haver estabilização em abril, mas sem recuperação", afirmou.
Sem perspectiva de retomada, a desaceleração deve atingir em cheio o mercado de trabalho de serviços, que há anos vem absorvendo grande parte da mão de obra no País e se firmou como o maior empregador. A intenção de contratar recuou 7,3% em março ante fevereiro. Ao todo, 22,9% dos empresários devem demitir nos próximos três meses, um máximo histórico.
Nos serviços prestados às famílias, a situação é ainda mais delicada. "Esses serviços dependem ainda mais de emprego do que a média relativa do setor. Por outro lado, esse trabalhador é o mais exposto, o mais frágil numa situação adversa", afirmou Sales.
Entre os que apontam demanda insuficiente, o setor de alojamento bateu o recorde de 60,6% de menções a esse tipo de problema. Segundo Sales, a demanda arrefecida deve ser o principal peso na decisão de dispensar trabalhadores.

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