Formado em Fisioterapia pela UEL, em 2002, Marcos Franco desistiu da profissão para seguir os passos do pai e do avô na corretagem de imóveis. A experiência em hospitais e clínicas o convenceu que a carreira de fisioterapeuta seria mais difícil e menos rentável. ''Teria que conciliar trabalho e estudo mais cinco anos para alcançar uma condição de vida melhor. O problema seria a falta de tempo. Antes de abandonar a área, chegava a trabalhar 12 horas/dia. Nesse ritmo, o aproveitamento da pós-graduação, certamente, ficaria comprometido'', avalia o jovem de 26 anos.
Embora tenha crescido entre corretores, Franco confessa que está aprendendo muito no dia-a-dia. Segundo ele, a maior diferença entre as duas profissões é a quantidade de variantes que podem influir no sucesso de um negócio. ''Na fisioterapia, para cada problema existe algumas hipóteses de diagnóstico e na corretagem de imóveis o felling é o mais importante. Mas isso aprende-se somente na prática'', disse Franco.
No caso de Ana Gregório, 33 anos, o maior atrativo para o mercado de imóveis foi o relacionamento direto com as pessoas. Assim como Franco, ela também possui outra profissão e alguém próximo no meio. ''Cursei administração de empresas, mas nunca exerci a atividade. Meu marido já trabalhava em imobiliária e, de certa maneira, isso pesou na minha decisão''. Há sete anos na área, ela recorda as dúvidas que tinha no início. ''O maior receio era a burocracia que envolve a locação, compra ou venda de um imóvel. Felizmente, contei com o apoio dos colegas, que ajudaram muito nessa fase, e também o esforço pessoal''.
Na opinião dela, a concorrência está bem dividida entre homens e mulheres, mas, como em qualquer atividade, há vantagens e desvantagens. De acordo com Ana, a sensibilidade da natureza feminina, às vezes, favorece uma negociação. Para determinados clientes, a mulher inspira mais confiança que os homens. ''Difícil é aturar cantadas de alguns homens nas visitas a imóveis vazios'', aponta Ana, que diz-se apaixonada pelo que faz.
Cansado das viagens despendiosas e a distância da família, Agenor Basso, 60 anos, trocou a carreira de vendedor autônomo pela corretagem de imóveis, há dois anos. As semelhanças da atividade e amigos no ramo estimularam a mudança. Para quem gastou boa parte da vida comercializando produtos agropecuários e materiais elétricos e agora negocia imóveis, o jogo de cintura tornou-se fundamental. ''Uma coisa é convencer alguém a comprar um produto relativamente barato, que pode ser trocado, e outra é vender uma casa, que, além de custar mais, carrega sonhos e sentimentos de muita gente''. Daqui a sete anos Basso poderá se aposentar, mas ele pretende continuar trabalhando até que a saúde permita.(B.R.)

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