Viver em comunidade exige paciência e diálogo
A tolerância aos ruídos internos e externos difere de pessoa e estado de espírito. Normalmente, quem passa os dias e a semana inteira trabalhando fora de casa almeja o sossego nos horários de folga. Mas, isso é raro em centros urbanos e, principalmente, nas metrópoles.
A dona de casa Guiomar Ventura da Silva, moradora do edifício Adma Karam, área central de Londrina, disse que acostumou-se ao barulho dos vizinhos e trânsito após 20 anos de convivência. ''No começo foi difícil, mas hoje não me incomodo'', disse.
Para a funcionária pública Maria Fátima de Souza, o salto plataforma usado diariamente pela vizinha de cima é a fonte sonora mais irritante. Na Sexta-Feira Santa, por exemplo, foi ele que a acordou mais cedo. ''Na minha opinião, todos os moradores de apartamento deveriam andar com chinelos de borracha e respeitar a lei do silêncio após às 22 horas. Já reclamei e já fui chamada à atenção muitas vezes, mas viver na cidade é isso'', sugeriu a moradora do Centro Comercial, também na área central.
A costureira Matilde Batista da Silva, que vive no mesmo prédio de Fátima, às vezes, acorda de madrugada por causa de algum barulho, mas prefere ficar na cama ao invés de perambular pelo apartamento em busca de algum 'sonífero'. ''Meu sono leve é menos preocupante que o estresse de minha mãe que, com pressão alta, passa o dia inteiro ouvindo todos os barulhos possíveis. Quando puder comprar um imóvel, certamente preferirei uma casa num bairro tranquilo'', afirmou.
A síndica Anavaly Pelegrini, do Edifício Albamar, não reclama dos sons internos do prédio, mas da algazarra promovida pela moçada durante a madrugada. ''Outro dia, espancaram barbaramente um rapaz e roubaram suas roupas em nossa esquina. O coitado fingiu que estava desacordado para safar-se de mais socos e pontapés. Um porteiro da redondeza emprestou uma toalha para que ele fosse embora. Com certeza, muitas pessoas acordaram com os gritos e pedidos de socorro, mas quem tem coragem de enfrentar esses vândalos? Minha preocupação não é o barulho fora de hora, mas a origem dele. As autoridades civis e policiais precisam acabar com a insegurança que ronda os quatro cantos de Londrina. Isso sim é motivo de mobilização'', desabafou. (B.R.)





