Garantia é a palavra-chave para a terceirização na vistoria de imóveis destinados à venda ou locação. Contratadas basicamente por imobiliárias de médio e grande porte e, ocasionalmente, por particulares as empresas do setor nasceram nas capitais e avançaram para o interior na última década.
Normalmente, o vistoriador é um corretor de imóveis que obteve noção do assunto durante a formação profissional que aliada à experiência transmite credibilidade ao cliente. Sua tarefa é analisar as condições do imóvel, ressaltar pontos positivos e negativos com o auxílio de fotografias e apresentar um relatório detalhado ao contratante. Este documento é assinado pelo locatário e fiador e impresso em três vias entregues ao inquilino, imobiliária e proprietário.
''Ele é útil para extinguir dúvidas em caso de prejuízo ao imóvel ou mobília e, principalmente, definir de quem é a dívida. Isso acontece na comparação das vistorias inicial (10% a 15% do aluguel) e final (metade do preço da primeira quando executada pela mesma empresa) que é praxe desde quando as próprias imobiliárias faziam o serviço'', disse Adilson Ferrari, proprietário de uma das quatro empresas do ramo que atuam em Londrina.
A responsabilidade pelo pagamento da vistoria é definida em acordo. Em alguns casos, o locatário paga a avaliação inicial e o locador a final. Em outros, o custo é dividido entre o locatário e a imobiliária. ''É uma despesa que ninguém questiona porque interessa a todas as partes envolvidas. O proprietário garante a preservação do seu patrimônio, o inquilino certifica-se que pagará apenas o que deve e a imobiliária otimiza o tempo e mão-de-obra, além de agregar valor à prestação de serviço'', disse Nadir Oliveira, gerente administrativa da imobiliária João de Barro.
Locador e locatário têm prazo de sete dias para questionar e exigir alterações no relatório de vistoria. Segundo Mário Henrique Merigue, proprietário de outra empresa de vistorias na cidade, em 90% dos casos de imóveis danificados a imobiliária e o locatário negociam o ressarcimento ao proprietário. Quando isso não ocorre, o relatório das vistorias serve como prova judicial. ''O ponto de vista idôneo do terceiro é valorizado por proprietários e inquilinos e pesa consideravelmente nas divergências'', afirmou.
Conforme Ferrari e Merigue, os danos mais comuns são pintura em más condições, janelas com vidraça quebrada, piso riscado, box trincado, fechaduras que não funcionam, instalações elétricas prejudicadas, etc.
''Outra vantagem da vistoria terceirizada é o detalhamento apresentado como, por exemplo, tipo de tinta e textura utilizadas. Para satisfazer os clientes mais exigentes precisaríamos de funcionários especializados e disponíveis para esse tipo de trabalho. Nos dias de hoje, isso é muito difícil'', disse João Carlos de Abreu, da imobiliária Londrina.
José Mário Marcantonio de Oliveira é um exemplo de proprietário rigoroso. É ele que compra o material e contrata a mão-de-obra para os consertos apontados na vistoria final. ''Prefiro receber em espécie e ficar tranquilo com a qualidade da reforma'', explicou.
Sossego também é o que procura Fernando Abujamra que possui vários apartamentos, casas e imóveis comerciais em Londrina. Para ele, a escolha de uma imobiliária séria é o primeiro passo. ''O mercado de locação está superlotado de ofertas e isso diminui o rendimento. Antigamente, recebíamos 1% do valor do imóvel todo mês. Atualmente, o aluguel não passa de 0,6%. Com a vistoria terceirizada qualquer tipo de apelação e dor de cabeça é difícil de ocorrer'', justificou.

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