O uso de texturas nas paredes ainda é uma opção que sugere ousadia e a escolha de um visual mais moderno. Mas se é preciso uma certa dose de coragem para quebrar o ‘‘tradicional’’, este é um ótimo recurso para modificar completamente um ambiente ou renovar o seu visual. Mais, quando feitos por um bom profissional, ela torna a sua parede uma peça única, quase como uma tela.
O artista plástico Flávio Padovesi explica que as texturas cabem tanto em ambientes clássicos, como modernos. Além da variação dos desenhos, elas podem ser feitas em tons neutros, dependendo da proposta do estilo da decoração escolhido.
Servem ainda como incentivos para usar texturas é o fato deste recurso ser rápido, barato e de fácil manutenção. ‘‘Quando cansar da cor ou do efeito basta mudar. O trabalho não é demorado e pode ser feito sem sujeira’’, garante. Na verdade, a principal preocupação de quem se interessa por este recurso costuma ser o ‘medo’ do resultado final ‘‘pesar’’ no ambiente.
A maioria das pessoas, afirma, ainda tem como referência as primeiras técnicas de textura que chegaram ao País. Para dar o efeito, a superfície precisa ser trabalhada com relevos e depressões.
Isto exige a utilização de uma massa base sobre a qual são feitos desenhos e traços. A espessura da massa utilizada para chegar ao resultado desejado é uma das principais responsáveis pela rusticidade final.
Trabalhando há mais de cinco anos com texturas para paredes, ele vem se dedicando a aprimorar as técnicas, testando novos materiais e formas de utilizá-los. Pintor por natureza, Padovesi diz ter descoberto nesta atividade uma forma a mais de expressar a sua arte.
Ele resolveu levar para as texturas as técnicas utilizadas na pintura de telas. Depois de muitos testes conseguiu adaptar o uso do jogo de luz e sombra para as texturas. A recompensa foi conseguir efeitos de profundidade que antes só eram possíveis com a variação de espessura da massa.
Os trabalhos de Padovesi têm pouco mais de um milímetro de espessura – com a técnica comum chegam a três milímitros. A diferença pode parecer irrisória, mas é grande visualmente. Suas texturas têm ainda em comum um certo poder de transformação. Dependendo da direção da luz elas adquirem nuances e desenhos inesperados.
Apaixonado pelas cores, Padovesi gosta de romper o tradicional uso das cores pastéis com dosagens de cores mais impressivas. Argumenta que o que assusta as pessoas não é o uso das cores fortes, mas a luminosidade característica delas. Quando usadas de forma inadequada elas roubam a cena em vez de compor e harmonizar o ambiente.
Para suavizar este efeito, o artista plástico desenvolveu uma técnica de mistura de cores que controla e reduz a luminosidade do tom sem modificar a cor. ‘‘As cores são fantásticas e sua influência na vida das pessoas já é reconhecida. Não há porque abrir mão delas’’, reforça.
Ele busca sempre efeitos delicados mesmo quando mistura materiais aparentemente grosseiros como limalha de ferro e areia grossa. Para ele, a suavidade é indispensável também ao rústico porque ajuda a harmonizar o ambiente.
Na sua concepção de ‘‘morada’’, a casa não deve ter superfícies ásperas à visão ou ao tato. ‘‘O ideal é que dentro do lugar onde vivemos tudo seja aconchegante e agradável’’, ressalta. Padovesi leva tão a sério cada composição que faz questão de assinar as paredes que cria.

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