A crise no setor da construção civil não é um problema apenas dos empresários. Em Londrina, quatro mil operários foram demitidos nos últimos meses, segundo o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais para Construção Regional de Londrina (Acomac), Adriano Montanari.
De acordo com estimativas da Acomac, o início de 2003 está sendo atípico para o setor. Em anos anteriores, os meses de janeiro e fevereiro registravam uma queda de, no máximo, 15% nas vendas. Dessa vez, o índice chegou a 40% no mesmo período. ''A chuva e os impostos não são justificativas para o problema. O fato é que Londrina parou de crescer e nada vem sendo feito para mudar essa situação'', afirma o vice-presidente cultural da Associação, Daniel Martins de Oliveira.
Embora critiquem o governo pela falta de investimento na habitação, Montanari e Oliveira admitem que o preço dos materiais de construção sofreu uma alta considerável nos últimos meses. O cimento e o aço puxaram a fila. O primeiro foi reajustado em 33% desde agosto de 2002 e o outro chegou aos 40%. A alegação de Montanari é que a produção tornou-se mais cara por conta dos insumos. ''Sessenta por cento da despesa com o cimento é com a energia elétrica e os outros 40% são divididos entre matéria-prima, custo operacional e transporte. Se não estamos trabalhando no vermelho, estamos perto'', reclamou.
Na opinião de ambos, a solução para o caso é a mobilização da sociedade civil. A idéia de Oliveira é reunir representantes da Acil, Sinduscon, Sociedade Rural e ONGs para cobrar mais representatividade dos políticos. De acordo com o diretor da Acomac, fora da região de Londrina a crise pode até existir, mas não é tão grave. ''Na década de 90, via-se mais construções do que hoje. Se o pequeno comprador, chamado de formiguinha, tivesse mais acesso às linhas de crédito para a construção da casa própria, com certeza, a situação estaria melhor''.
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