Venda de material de construção bate recorde
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domingo, 22 de janeiro de 2012
Circe Bonatelli<br>Agência Estado 
São Paulo - As vendas da indústria de materiais de construção no mercado interno cresceram 2,9% em 2011 ante 2010, de acordo com dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Com o isso, o faturamento do setor atingiu o recorde de R$ 108,5 bilhões no ano passado, superando o recorde anterior, de R$ 107,1 bilhões em 2008.
A alta foi puxada principalmente pela evolução das vendas de materiais de acabamento, cujo crescimento foi de 8% em 2011 ante 2010. No mesmo período, as vendas de materiais básicos tiveram uma alta bem mais modesta, de apenas 0,2%.
O recorde de faturamento ocorreu mesmo após os cortes nas projeções de crescimento do setor. No começo de 2011, a Abramat chegou a projetar um avanço de 9% no faturamento anual. Segundo afirmou em nota o presidente da associação, Walter Cover, o crescimento foi menor que o esperado por conta das medidas tomadas pelo governo federal no início de 2011 para desaceleração da economia, além da queda no ritmo de execução das obras do programa ''Minha Casa, Minha Vida'', e o aumento das vendas de importados.
Para 2012, as expectativas da Abramat apontam para um crescimento de 4,5% em relação a 2011, considerando as projeções de vendas no varejo, o ritmo previsto para as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e do ''Minha Casa, Minha Vida'' neste ano, e acréscimo típico de contratações de obras em ano de eleições municipais.
Londrina
Para Maykon Carvalho Maia, gerente da LC Depósito, de Londrina, o crescimento se deve à continuidade da política de crédito no país. ''Ficamos receosos em relação ao novo governo, mas como foi mantida a política de crédito, continuou forte para a gente.'' A proximidade da Copa do Mundo é outro fator que faz o gerente otimista em relação às vendas. Maia afirmou que o depósito teve, no ano passado, alta de 12% a 20% no faturamento em relação a 2010.
As obras de até R$ 200 mil são a maior demanda do setor de material de construção, segundo Maia. ''Para financiar (obras neste valor), é muito fácil.'' Para 2012, há um certo receio em relação à crise europeia. ''Queira ou não, afeta a gente aqui. Mas se o governo mantiver o IPI reduzido, esperamos um crescimento de 7% a 8%.''
O gerente da Casa Acabamentos, em Londrina, Rangel Cardoso Giovani, avaliou que o crescimento no estabelecimento ''foi visível'' desde 2009, e que 2011 foi um ano recorde. ''Depois que o governo lançou incentivos, melhorou o crédito, alavancou bastante para a gente. O Minha Casa Minha Vida foi um elemento que desencadeou para todo o lado'', afirmou.
Na sua opinião, o crescimento no setor foi conjunto - com o segmento de materiais básicos -, e que a demanda por moradia na cidade teria contribuído para o ano recorde. ''Existe uma demanda na cidade, que estava muito carente de moradia. O boom não é à toa.'' Para este ano, ele disse estar otimista. ''Esperamos pelo menos manter o ritmo com crescimento de 5% a 10%.''


