Venda de materiais de construção teve queda
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sábado, 03 de julho de 2004
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O primeiro semestre do ano não foi bom para o comércio de materiais de construção. Recessão da economia, diminuição do poder de compra dos consumidores e pouco incentivo por parte do governo federal são causas da queda nas vendas, segundo a opinião dos lojistas do setor. A expectativa de que os negócios fossem melhores em relação ao mesmo período de 2003, não se cumpriu para boa parte deles. Nos estabelecimentos onde os resultados não foram negativos também não apresentaram nenhum acréscimo.
''O ano está ruim para o segmento. As pessoas não têm dinheiro para construir, pois este é um serviço caro'', disse Juliano Bortolotto, diretor de marketing da rede Todimo. A filial inaugurada em março deste ano em Londrina ainda não respondeu totalmente às expectativas da empresa. ''Ela está numa crescente, mas não alcançou os números que esperávamos'', frisou.
Bortolotto acredita que um dos motivos da crise é a queda progressiva do Produto Interno Bruto (PIB). O problema, que começou há uns três anos, atinge diretamente a construção civil. Ele lembra também que uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que os gastos com reformas ou construção caíram nos últimos anos.
Segundo os dados do instituto, em 1975 sobrava 16,5% do orçamento para aplicação em imóveis. O índice caiu para 4,73% em 2003. ''Hoje em dia as pessoas têm outras necessidades que consomem o dinheiro destinado aos investimentos em imóveis'', argumentou.
As esperanças de reverter o quadro do segmento, no entanto, são grandes. ''Londrina é um bom mercado. Nós acreditamos que a loja vai realizar bons negócios. Viemos pra ficar'', acrescenta. Bortolotto ainda informa, que nos planos da rede estão a inauguração de mais três lojas na região, uma delas com previsão de abertura ainda para este ano.
Na rede Bordignon, as vendas cresceram apenas 3% de janeiro a junho deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. ''Acreditamos que o desemprego é que está impedindo que o mercado cresça'', afirmou um dos diretores da rede de lojas, que pediu para não ter o nome publicado. Os primeiros meses do ano, segundo ele, foram os mais difíceis. O mês de junho, ressaltou, foi uma exceção e fechou com um índice de vendas 12% superior ao mesmo mês de 2003.
A expectativa da empresa é de que o segundo semestre, geralmente o melhor, cubra o encolhimento nos negócios dos primeiros seis meses do ano. ''Pretendemos fechar o ano com um saldo de pelo menos 10% a mais nas vendas em relação a 2003'', reforçou.
Ele ainda comenta que os números do primeiro semestre não incluem os resultados de venda da nova loja da rede, inaugurada em maio no Catuaí Casa. Segundo o diretor, a loja tem ajudado a impulsionar as vendas. Somando-se os resultados da rede, no mês de junho, com os da nova instalação, a Bordignon vendeu 26% mais que no mesmo período de 2003.


