Desenvolvimento urbano significa ao mesmo tempo evolução econômica, política, social e cultural. Aos poucos, o novo substituirá o antigo até que o amadurecimento exija da comunidade a escolha entre um e outro. A conciliação de ambos sem prejuízo ao progresso e à memória é a conclusão mais comum. O problema é manter o equilíbrio de forças opostas em benefício de todos.
Londrina, 71 anos e antiga capital mundial do café, assiste a deterioração de imóveis que remontam sua formação e períodos históricos. O Bar Valentino, que há quase três décadas é o ponto de encontro mais eclético e democrático da cidade, cederá lugar para uma galeria de lojas, próximo ao Ginásio de Esportes Moringão. Prédios mais antigos, como vários hotéis que rodeavam a antiga rodoviária (área central) perderam sua função e também fecharam as portas.
Segundo Alzir Bocchi, presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, nos últimos 16 anos, foram desativados o Zollern Palace Hotel (Rua Hugo Cabral esquina com a Avenida Paraná), Hotel Bandeirantes (Avenida Paraná), Nóbile Hotel (esquina das ruas Hugo Cabral e Sergipe), Sahão Palace Hotel (esquina das avenidas Paraná e São Paulo) e Franz Hotel (esquina da Avenida Duque de Caxias com a Rua Goiás). ''Isso aconteceu porque eles pararam no tempo, abrindo espaço para concorrentes com estilos modernos de hospedagem e mão-de-obra atualizada'', explicou.
A destinação a essas edificações ainda é incerta na maioria dos casos. Segundo o secretário de Cultura de Londrina, Luciano Bittencourt, o futuro Plano Diretor do município contemplará a preservação do patrimônio histórico local ao favorecer ações mais ágeis e consistentes do poder público. ''A economia é dinâmica, mas pode caminhar lado a lado com a história que agrega valor material e imaterial aos bens'', opinou o secretário.
Fachada - Graças à intervenção do município, os novos proprietários do Hotel Aliança preservarão o imóvel que abrigará a futura Galeria Benjamin Constant, em frente ao Terminal Urbano. Segundo Bittencourt, a idéia inicial era demolir a antiga hospedagem e o prédio de uma loja de artigos para o lar e erguer um conjunto de lojas que seria chamado Negócio da China.
A mudança no projeto inicial incluiu uma segunda equipe de arquitetos da qual Denise Lezo é membro. De acordo com ela, serão conservados basicamente a fachada e o alinhamento do hotel em relação à loja que funcionava ao lado. ''É uma espécie de reciclagem que aliará determinadas características originais ao novo uso do imóvel'', explicou a sócia do Ateliê Integrado de Arquitetura (AIA). No térreo, por exemplo, funcionará um café; o primeiro andar será destinado à praça de alimentação e o segundo, aos banheiros e à administração.
Ao todo, Denise e equipe terão em mãos 275 metros quadrados de área para trabalhar. Antes disso, foram necessárias horas de pesquisa em museus, blibliotecas e na diretoria municipal do patrimônio. ''Certos artefatos de madeira e metal serão recuperados, algumas paredes desaparecerão para atender ao projeto, as instalações hidráulica e elétrica são novas assim como a pintura que privilegiou a iluminação do ambiente'', detalhou a arquiteta.
O convite à AIA não foi acaso do destino. Ano passado, o Ateliê concluiu um site que informa a população sobre a reciclagem e preservação do patrimônio histórico (http://home.londrina.pr.gov.br/cultura/reciclagem) da cidade. Nele é apresentado exemplos de novos usos para imóveis emblemáticos da história local, como a ferroviária que se transformou no Museu Histórico Padre Carlos Weiss; o terminal rodoviário que hoje abriga o Museu de Arte; o antigo Forum que atualmente funciona como biblioteca municipal e os galpões de café que deram lugar a um restaurante.

VALOR DO METRO
QUADRADO LIVRE

Hotel Berlim – R$ 600,00 a R$ 800,00
Hotel Sahão – R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00
Avenida Higienópolis (completa) – R$ 800,00 a R$ 1.500,00
Gleba Palhano – R$ 150,00
FONTE: Sindicato dos Corretores Imobiliários de Londrina e Região (Sincil)

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