Os bons resultados com as vendas no primeiro semeste deste ano, parece ter ficado apenas na expectativa para os varejistas do segmento de materiais de construção. Desde janeiro até agora o mercado tem sido oscilante e fraco, segundo os lojistas do setor. Nem as linhas de créditos liberadas pelos bancos para financiar as compras de insumos têm ajudado a movimentar o segmento.
''Não é só aqui em Londrina, mas em todo o Brasil. O mercado está muito oscilante'', afirmou Renato Lopes, gerente geral da Todimo em Londrina. Na opinião dele, essa instabilidade provoca grandes problemas às empresas que trabalham com planejamento: mídia, contratação de funcionários, demissão. ''2004 ficou na expectativa e não foi muito bom. 2005 tem sido morno'', apontou Lopes.
Em uma análise superficial, ele acredita que o problema pode estar ligado às notícias sobre a crise política do País, a qual gera incerteza e dúvida no consumidor. ''Apenas as obras com mais de 60% da construção em andamento são as que o cliente termina. As que estão começando ficam meio paradas'', avaliou. Segundo ele, a maioria dos consumidores realizam compras com recurso próprio e ''sempre querem ganhar um belo desconto''. Dinheiro oriundo de empréstimos bancários é raro, contou Lopes.
A sócia-gerente do Déposito São Marcos, Luciney de Oliveira, também afirma que a expectativa de que 2005 fosse melhor que 2004 ainda não aconteceu. ''O mercado está inconstante. Tem um período de 10, 15 dias que as vendas são ótimas. Então cria-se uma expectativa de que o negócio realmente vai melhorar e logo vem uma queda no mercado'', lamentou Luciney. Ela acredita que o problema é a diminuição contínua da renda do consumidor.
Para o diretor comercial da rede Bordignon, André Tavares, o balanço do primeiro semestre indica que foi um ano complicado. Um dos problemas, segundo ele, foi que, estando Londrina em uma região de agronegócios, que tem passado por um momento de recessão, os outros segmentos foram afetados. ''Apesar disso vamos conseguir fechar bem o semestre, com um crescimento de 7% em relação ao ano passado'', disse Tavares. A expectativa de crescimento era de 10% para esse período. Ele acredita que o segundo semestre ser melhor, mas prefere não falar em percentual.
Empréstimo - A Caixa Econômica Federal conta com duas linhas de crédito para financiamento de materiais de construção. A FGTS-Material de Construção disponibiliza verba do Fundo de Garantia. Segundo Rogério Baduy Pain, gerente de mercado do banco em Londrina, essa linha é voltada para pessoas com renda familiar de até R$ 1,5 mil. O cliente pode emprestar até R$ 7 mil e dividir em 96 parcelas. O juro é de 6% ao ano. Em 2004 foram aplicados R$ 6,3 milhões. Para 2005 foram disponibilizados R$ 7,3 milhões, dos quais R$ 4 milhões já estão investidos.
Já para a linha Construcard não há limite de renda. O cliente faz um cadastro no banco e recebe um cartão magnético com o qual realiza as compras. O juro é de 1,69%, mais Taxa Referencial (TR) de 0,2% ao mês. O prazo de pagamento é de até 36 meses. ''A grande vantagem dessa linha é que o recurso é do próprio banco através do crédito para pessoas físicas'', disse Pain. A verba disponível chega a R$ 240 milhões. Até agora, foram contratados apenas R$ 6,6 milhões.

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