Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Na luta contra os eletrodomésticos, artefatos antigos como o varal tiveram que se adaptar aos novos tempos. Eles ganharam formas e tamanhos diferentes, cores variadas, materiais inusitados e até mudaram de função para não deixarem de existir.
No caso do varal o principal concorrente é a secadora de roupas que é capaz de retirar toda a umidade dos tecidos usando pouca energia elétrica. Mesmo assim, ele ainda resiste. Para a arquiteta Luzia Favoreto, até a dona-de-casa mais equipada não pode dispensar esse utensílio que é útil quando se tem poucas peças para serem lavadas ou no caso de tapetes e panos de limpeza.
A redução das áreas de serviço e lavanderias forçou os varais a diminuírem também. É possível encontrar no comércio peças com até 60 centímetros de comprimento. Neste caso, são varais de teto que medem, no máximo, 1,20 metro e suportam de 15 a 20 quilos de roupa. Há também os de parede que podem ou não ser acondicionados em caixinhas retangulares coladas à parede. Graças a essa característica são chamados de sanfonados. Mas existe ainda os portáteis e retráteis que são montados apenas no momento do uso.
Dentro da categoria foram criados também os varais de chão, que assemelham-se a uma mesa de varetas; os giratórios, que lembram um guarda-chuva do avesso e os retráteis que são armados apenas no momento do uso. ‘‘As pessoas preferem usar a pequena área livre que dispõem em casa para o lazer. Os varais antigos tomavam muito espaço, o que hoje é impensável. A segurança é outro fator que deve ser levado em conta. A mulher quer sair e deixar suas roupas secando dentro de casa para não se preocupar com os ladrões’’, diz Marcos Guerra, proprietário de uma loja especializada na venda desse utensílio em Londrina.
A novidade no ramo é o varal elétrico, chamado de Flop-Top, inventado pelo jornalista londrinense Clóvis Duarte. Sua vantagem é substituir a força braçal no uso do varal de teto por um motorzinho movido a energia elétrica. Pregado à parede, ele pesa pouco mais de 2,5 quilos, mede 20 centímetros de altura, 13 centímetros de largura e 11,6 centímetros de profundidade.
Segundo Duarte, que patenteou a invenção em 98, já foram vendidas aproximadamente mil unidades do Flop-Top em Londrina, São Paulo, Campo Grande, Porto Alegre e vários Estados do Nordeste. ‘‘Minha mulher reclamava de dores nas costas provocadas pelo esforço na hora de subir o varal com as roupas molhadas. Foi a partir dessa necessidade que surgiu a idéia’’.
Ainda de acordo com o jornalista, o Flop-Top suporta 30 quilos de roupas e sua instalação é muito fácil. Em Londrina, ele pode ser encontrado por R$ 85, sem contar o custo com a armação das varetas e as cordas de poliuretano. Duarte garante que o sistema é muito econômico e que a demanda vem crescendo rapidamente. ‘‘Consigo produzir cerca de 200 exemplares por mês através de um fabricante terceirizado. Se tivesse mais capital as máquinas não parariam um minuto’’.