A Universidade de São Paulo está fazendo testes com um pavimento de concreto mais resistente e durável do que o asfalto, que pode ser usado para recapeamento urbano. Trata-se do whitetopping ultradelgado, desenvolvido pelo Laboratório de Mecânica de Pavimentos do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica. ‘‘Essa cobertura fina de cimento, de cerca de 7 cm, pode ser muito útil para corredores de ônibus urbanos, pois o sistema só requer um recapeamento a cada dez anos. Com o asfalto, é necessário recapear de quatro a cinco vezes nesse período’’, diz José Tadeu Balbo, professor associado do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli/USP.
Segundo Balbo, não existe no Brasil a tradição de uso do concreto de cimento (portland) para pavimentação. Somente algumas rodovias, como Imigrantes e Castelo Branco, utilizam o sistema. No entanto, é um material que não sofre deformações por causa do clima tropical nem é importado, como o asfalto. ‘‘O problema com o uso do cimento para recapeamento urbano era a possibilidade de fissura por causa da espessura fina da capa. Atualmente, porém, com a tecnologia whitetopping conseguimos um concreto quatro a cinco vezes mais resistente do que os empregados normalmente.’’
A tecnologia whitetopping (capa branca) normal, com uma camada de 20 a 22cm, vai ser utilizada pela primeira vez no recapeamento de uma rodovia brasileira, a SP 079, em Votorantim, onde o pavimento de concreto será colocado sobre o existente, de asfalto, e contará com acompanhamento da USP. Por um convênio com a ABCP, que financiará o projeto, de R$ 45 mil, o Departamento de Engenharia de Transportes da Poli/USP vai instalar instrumentos que avaliarão, durante 12 meses, como o clima e a carga afetarão o desempenho do pavimento, ou seja, seu grau de deformação e fissura.
Segundo José Tadeu Balbo, o concreto é utilizado há muitos anos fora do País. ‘‘Na Alemanha, as auto-estradas foram construídas em concreto na década de 30 e só começaram a ter seu pavimento reconstruído na década de 90. O problema é que era um método caro. No entanto, a indústria de cimento conseguiu competitividade e atualmente o custo de uma estrada de concreto é, no máximo, 10% maior do que uma de asfalto, com a vantagem de só precisar de reparo depois de pelo menos 20 anos de uso’’, diz o engenheiro.
Mais informações com José Tadeu Balbo ([email protected]) e no site Poli (www.ptr.usp.br/laboratorios).

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