Uso do couro não obedece modismos
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de outubro de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Pele com pele. Este contato seduz o ser humano desde o início do mundo. Através do tato se reconhecem os primeiros sentimentos de proteção, conforto e segurança. Primeiro emocional e depois física. E o couro é e sempre será o símbolo máximo deste prazer quando o assunto extrapola o corpo a corpo; as relações emocionais humanas.
O homem cresce, evolui e o couro permanece. A beleza, textura (variadas) e durabilidade continuam fazendo dele o melhor material para roupas e revestimentos. Nem o desenvolvimento dos tecidos e a sua variedades também maravilhosa (cores, texturas e padronagens) superaram o prazer do contato com o couro.
O couro é um material sobre o qual não há contestações. Pode-se discutir a qualidade, a padronagem e as cores, mas ele é sempre uma excelente escolha, afirma Alex Maximiliano, gerente de uma empresa que trabalha com tecidos e couro para revestimento de móveis, em Londrina.
Conhecedor deste material, Maximiliano explica que o uso do couro na decoração não segue modismos. Sempre esteve presente, diz. Afirma, no entanto, que o couro ganhou força com o estilo de vida moderno. Nos últimos anos, cresceu a demanda por materiais naturais e duráveis.
Hoje o consumidor prefere gastar um pouco mais, mas ter uma peça que acompanhe o seu dia-a-dia e, com o uso, ganhe ares de vivência e não de desgaste. O couro é perfeito, argumenta.
Antigamente as peças de couro costumavam ser mais grossas e pouco maleáveis, com um ar rústico. Mesmo assim encantador , ressalta o gerente. Mas com o desenvolvimento e sofisticação das técnicas de preparar o couro, chegou ao mercado uma variedade de tirar o fôlego de qualquer um.
Não há mais limites para o uso deste material. Hoje ele pode ser encontrado com espessuras variadas (das finas às mais encorpadas). Há texturas macias e tão sedosas quanto a dos tecidos mais finos e com as tonalidades mais fascinantes.
Um sofá simples, por exemplo, ganha glamour e vira o centro das atenções se revestido em couro. O puff em couro quebra o lugar comum, marcando o estilo e elegância do ambiente. As almofadas em couro alegram e conferem sofisticação.
O couro vai até a mesa em cadeiras completamente ou parcialmente revestidas. Não importando se o desenho do móvel é clássico, barroco ou contemporâneo, o couro é sempre atual. Na cabeceira da cama, ele aquece e dá aconchego. No tapete trançado ganha ares de despojo. Se o tapete é a vaqueta peça inteira no formato de boi o toque é de descontração. A mesma peça vira capa de sofá.
Maximiliano esclarece que as pessoas que acreditam ser o couro um material de temperatura fria estão enganadas. O couro é um material vivo. Ele está sempre na temperatura ambiente, frisa. Explica que o material tem a propriedade de igualar rapidamente a sua temperatura à da pessoa que senta. A sensação de frescor inicial é resultado da diferença de temperatura entre o ambiente e o corpo, diz.
Também por isto, o couro não aquece. Ele mantém a temperatura amena e, em poucos segundos torna-se morno e envolvente. Outra propriedade importante é a facilidade de manutenção. Os novos couros passam por tratamentos que dificultam absorção de líquidos e gorduras que podem ser retirados com o uso de um pano seco sem provocar manchas permanentes. O produto é antialérgico.
Mas e o custo? Bom, esta parte da crença popular é verdadeira. O couro continua sendo um material caro. O metro quadrado de um material com qualidade e garantia de procedência varia de R$ 100,00 a cerca de R$ 250,00.
Para revestir um sofá de dois lugares (tipo grande), por exemplo, são necessários cerca de 16 metros um gasto de R$ 1.600,00 só com o couro mais em conta. Isto para quem quer ter uma peça exclusiva, uma vez as peças de couro são sempre únicas (nenhum animal é igual ao outro).
Para quem não quer gastar muito, a sugestão é utilizar o material em dose homeopáticas, em peças pequenas como puffs e almofadas. O prazer vale a pena. Independente do tamanho do investimento o mais importante é a qualidade. escolha um couro de boa procedência, orienta Maximiliano.
Por outro lado, se compararmos o preço do couro ao de um tecido com as mesmas qualidades, o custo deixa de ser alto. O valor desses tecidos varia de R$ 50,00 a R$ 230,00 o metro quadrado. Acrescente a esta informação que a durabilidade do couro (se feita a manutenção correta) é sempre pelo menos 50% maior do que a do melhor dos tecidos.


